Representantes dos países da zona do euro irão se reunir novamente nas próximas semanas, a fim de definir novo pacote de resgate que estabilize, a longo prazo, a moeda comum europeia. Segundo o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, é preciso evitar providências impensadas. A premiê alemã, Angela Merkel, também alertou em Berlim para o risco de "medidas tomadas às pressas".
"Precisamos de um pacote completo e para isso é necessário priorizar o cuidado e a meticulosidade e não a rapidez", afirmou Schäuble em Bruxelas. Os países da UE, disse o ministro, estão certos de que tudo terá que ser resolvido depressa, porém com o "devido cuidado".
"Contra a mediocridade"
Merkel defendeu ainda "maior tranquilidade" no debate sobre as medidas a serem incluídas no novo pacote. Essas medidas, salientou a premiê, deverão fortalecer "a capacidade de toda a Europa de concorrência" no mercado internacional. Merkel posicionou-se ainda contra "a mediocridade" na UE, afirmando que "o parâmetro tem que ser 'o melhor'".
Os países da UE discutem no momento uma ampliação do Pacto de Estabildiade do euro, uma melhor forma de definição das políticas econômicas de cada país e um fortalecimento do fundo de resgate dos países da zona do euro, válido até o ano de 2013.
Além disso, a meta é estabelecer mecanismos permanentes de resistência à crise, que possam proteger os países da zona do euro de novas instabilidades como a atual crise de crédito. Para o primeiro semestre deste ano, planeja-se os chamados testes de estresse dos bancos.
"Aspecto parcial"
Olli Rehn, comissário monetário da UE, defendeu novas possibildiades de uso do atual fundo de resgate e um aumento do volume de recursos realmente disponíveis para países em dificuldades. O ministro alemão Schäuble, por sua vez, afirmou ser este passo apenas "um aspecto parcial" do pacote geral de resgate. Para Berlim, não é preciso definir essa ampliação de forma isolada do novo pacote em geral, nem com tamanha rapidez.
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A participação dos países da zona do euro no fundo gira em torno de 440 bilhões de euros, dos quais estima-se que 250 bilhões estejam, de fato, disponíveis para os países em dificuldades. Schäuble deu sinais de concordar com a implementação de mecanismos legais que permitam a liberação de créditos de fato para os países necessitados.
Sucessor de Trichet
Outra discussão que permeou o encontro dos ministros em Bruxelas foi uma possível antecipação da escolha do futuro presidente do Banco Central Europeu. Schäuble alertou para o risco de "um enfraquecimento da posição do atual presidente do Banco, Jean-Claude Trichet". Para o ministro alemão, "não há necessidade alguma" de debater esse assunto de imediato. O mandato de Trichet no cargo vai até outubro deste ano.
Os ministros reunidos em Bruxelas praticamente não deixaram entrever, contudo, sobre quais opções estiveram discutindo em relação ao futuro econômico da zona do euro. O titular holandês da pasta das Finanças, Jan Kees de Jager, mencionou que em debate esteve também um possível aumento do volume de crédito para além dos atuais 440 bilhões de euros – uma proposta que foi, contudo, rejeitada, afirmou De Jager.
"Casa sobre terreno trêmulo"
No mais tardar até março deste ano, os ministros querem ter chegado a uma conclusão a respeito do pacote geral de resgate. A presidência da UE, no momento nas mãos da Hungria, causou tumultos em Bruxelas com declarações como as do ministro György Matolcsy, cuja afirmação de que "o euro está em risco por mais de uma década" esbarrou na rejeição de outros colegas de pasta do bloco.
O ministro húngaro acrescentou ainda que "o euro parece uma casa que construímos, embora o terreno sob ela balance consideravelmente". Budapeste ainda não introduziu a moeda comum europeia.
SV/dpa/rtr/afp
Revisão: Roselaine Wandscheer