Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Ministro vê IPCA em 'momento de inflexão'

Ministro da Fazenda, Guido Mantega mostrou-se otimista com o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, divulgado nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, os dados indicam que a trajetória da inflação começou a mudar. O IPCA passou de 0,79%, em março, para 0,77% em abril, de acordo com o IBGE.

Sexta, 06 de Maio de 2011 às 09:00, por: CdB
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Ministro da Fazenda, Guido Mantega mostrou-se otimista com o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, divulgado nesta sexta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ele, os dados indicam que a trajetória da inflação começou a mudar. O IPCA passou de 0,79%, em março, para 0,77% em abril, de acordo com o IBGE. – Estamos no chamado ponto de inflexão, ou seja, revertendo, num momento em que muda a inflação para baixo. O pior momento da inflação está passando e ficando para trás. Em abril e a partir de maio, os preços passarão a cair no Brasil de modo que a inflação estará sobre controle. Nós já poderemos respirar em maio, esperando uma inflação do IPCA em torno de 0,45% a 0,50% – disse Mantega. Segundo ele, se o preço das commodities continuar a cair no mercado internacional, terá influência no preço dos alimentos e no dos combustíveis. O ministro destacou ainda que o IPCA, sem considerar alguns alimentos cujos preços variam mais facilmente de preço, passou de cerca de 0,70%, em março, para 0,52%, em abril. Mantega também citou outro indicador importante para mostrar a tendência de queda da inflação, o Índice Geral de Preços (IGP). – O IGP é importante porque ele é o precursor do IPCA. Ele é o índice no atacado, na produção, depois ele chega ao consumidor – destacou. Acima do teto A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) realmente contrariou as expectativas do mercado e desacelerou levemente em abril, mas a taxa em 12 meses rompeu o teto da meta pela primeira vez em quase seis anos. O IPCA subiu 0,77% em abril, após alta de 0,79% em março, segundo o  IBGE, e a taxa em 12 meses acelerou a alta para 6,51%, ante 6,30% em março, rompendo o teto da meta perseguida pelo governo, que tem centro em 4,5% e tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo. É a primeira vez desde junho de 2005 em que a taxa em 12 meses supera o teto da meta do ano. Analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters previam para abril leitura de 0,84%, segundo mediana de 20 estimativas que ficaram entre 0,66 e 0,91%, e avanço de 6,58% em 12 meses. Há a perspectiva de uma leve desaceleração da taxa em 12 meses nos próximos meses, com o mercado prevendo uma inflação neste ano de 6,34%, segundo pesquisa Focus. Ainda é um patamar elevado, mas ficaria dentro da margem de tolerância da meta. Em meio a esse cenário de inflação pressionada, o governo vem tomando medidas nos lados monetário e fiscal. No mês passado, o Banco Central diminuiu o ritmo da alta do juro, para 0,25 ponto percentual, mas disse ver um aperto por um período "suficientemente longo", levando o mercado a prever mais elevações do que o anteriormente estimado. O mercado, no entanto, não descarta totalmente a possibilidade de a inflação deste ano superar o teto de 6,5%. A última vez em que isso ocorreu foi em 2002, quando a inflação foi de 12,53% e o teto era de 5,5%. Em 2003 e 2004 a meta teve que ser ajustada para cima para evitar novos rompimentos. No ano, o IPCA acumulou até abril elevação de 3,23%. Combustíveis em queda Mantega admitiu que o IPCA de abril ainda está alto, mas destacou que o índice mostra tendência de queda da inflação. Segundo ele, embora o vilão da inflação em abril ainda tenha sido o combustível, tanto a gasolina quanto o etanol, a boa notícia é que, este mês, os preços desses produtos já mostram queda. – Começou a safra, o preço do etanol ao produtor já caiu bastante e logo mais chegará à bomba de gasolina. Portanto, já teremos uma queda da gasolina e do etanol a partir de maio – disse. Outra boa notícia, lembrou o ministro, é que os preços das commodities no mercado internacional estão caindo fortemente. Ele destacou que essa queda vinha sendo registrada nos últimos quatro dias e, na véspera, houve uma queda redução no caso do petróleo, de 8,5%. – O petróleo é um dos itens que mais inflacionam o índice de commodities mundial. A notícia é boa porque o conjunto de commodities, incluindo as metálicas e alimentares, caiu 4,5% em um só dia – comemorou. Além da desaceleração do preço das commodities, consideradas uma das principais causas da inflação mundial e da brasileira, Mantega destacou o começo da safra no Brasil, que repercute no preço dos alimentos, como outro bom sinal para a queda da inflação. – Os preços estão caindo e aparecem no IPCA de abril. Daqui para a frente vão cair mais ainda – afirmou. alimentos, idem No mês passado, os preços do grupo Alimentação e bebidas subiram 0,58%, abaixo da alta de 0,75% de março. "Produtos importantes com preços em queda contribuíram para a redução do resultado do grupo no mês, a exemplo do tomate, do açúcar cristal, do arroz e das carnes", disse o IBGE em nota. Além desse grupo, outros quatro dentro os nove que formam o IPCA tiveram desaceleração em abril em relação a março: Artigos de residência, com queda de 0,62% agora ante alta anterior de 0,21%; Despesas pessoais, que passou de alta de 0,78% em março para 0,57%; Educação, de 1,04 para 0,09%; e Comunicação, de 0,17% de alta para estabilidade. O ministro Mantega aguarda os próximos índices para consolidar suas expectativas.
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