Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Ministro tucano antecipa operação federal e se arrisca perder emprego

Na avaliação desta e de outras fontes que falaram ao CdB é que o tucano Alexandre Moraes está no cargo “por um fio”. O vídeo gravado com a declaração de Moraes, no interior paulista, deixa poucas dúvidas

Segunda, 26 de Setembro de 2016 às 13:29, por: CdB

Na avaliação desta e de outras fontes que falaram ao CdB é que o tucano Alexandre Moraes está no cargo “por um fio”. O vídeo gravado com a declaração de Moraes, no interior paulista, deixa poucas dúvidas

 
Por Redação - de São Paulo
  Ocupante do Ministério da Justiça, o tucano Alexandre de Moraes foi chamado para uma conversa com o presidente de facto, Michel Temer. Falará sobre as declarações deste domingo, em Ribeirão Preto (SP), em que antecipa nova fase da Operação Lava Jato. Moraes deu entender que sabia da prisão, nesta segunda-feira, do ex-ministro Antonio Palocci na ação batizada de ‘Omertá’. Trata-se do código de silêncio pactuado entre os mafiosos. Temer, disseram fontes no Palácio do Planalto à reportagem do Correio do Brasil, ficou muito irritado.
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Alexandre Moraes ocupa o Ministério da Justiça na equipe do presidente de facto, Michel Temer
Na avaliação desta e de outras fontes que falaram ao CdB é que Moraes está no cargo “por um fio”. O vídeo gravado com a declaração de Moraes, no interior paulista, deixa poucas dúvidas. Ainda assim, terá a oportunidade de se explicar. Na análise destes interlocutores de Temer, há grande chance de Moraes ser demitido. A demissão serviria para evitar suspeitas de que o PMDB e o PSDB usam o aparato da PF e da Lava Jato para vinganças políticas. No comício do PSDB, Moraes declarou: — Teve a semana passada (ação da Lava Jato) e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim.

Tucano no Senado

A atitude de Moraes repercutiu entre os senadores, nesta manhã. Além de Palocci, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega foi preso pela força-tarefa da Lava Jato. O juiz Sergio Moro, horas depois, mandou que fosse solto, em um novo episódio constrangedor para a Justiça brasileira. No início desta tarde, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) pediu a convocação de Moraes. Ele deverá depor perante a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. E se explicar sobre o "uso político da Polícia Federal", após antecipar que "haveria mais Lava Jato" esta semana. Vanessa disse considerar muito grave a declaração do militante tucano, em um comício partidário. Uma vez configurado o vazamento de informações, o caso será levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). — Fomos surpreendidos com a notícia da prisão de Palocci, que é de Ribeiro Preto, onde (Moraes) se encontrava neste domingo. A Lava Jato está tropeçando nas próprias pernas. Para além do combate à corrupção, trata de perseguir determinadas figuras da política brasileira — disse a senadora. Em sua conta, no Twitter, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) também questionou a autonomia da PF. Criticou o fato de o ministro da Justiça saber, "com antecedência”, das operações em curso. Para a senadora, há seletividade nas operações da Lava Jato. Em nota, Moraes tentou desconversar. Disse que, desde que assumiu o cargo, a PF recebe total apoio: "Em quase todas as semanas, houve operação e que, certamente, continuariam nessa semana, na próxima e enquanto houver necessidade”. Moraes reiterou que as investigações da Lava Jato são compromisso do governo federal. E assegura que a atuação da PF será “independente”.

PF nega tudo

Ainda nesta tarde, a PF também divulgou nota para esclarecer que apenas pessoas ligadas às investigação têm acesso às ações. "Como já foi amplamente demonstrado em ocasiões anteriores, o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais”. “No entanto, é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos em que possam demandar sua atuação, não sendo informados a ele os detalhes da operação", diz o comunicado. No início da tarde, durante entrevista coletiva, o delegado Igor Romário de Paula também rejeitou que tenha havido vazamento. Ele tentava esclarecer que adotou o mesmo padrão “de compartimentação e cuidado com informação. Esse comportamento caracterizaria quase 500 operações deflagradas neste ano”. "Somente as pessoas diretamente responsáveis pela investigação possuem conhecimento de seu conteúdo. Da mesma forma, as datas de desencadeamento de operações especiais de polícia judiciária são acompanhadas apenas pelos responsáveis." Segundo o comunicado, "o Ministério da Justiça não é avisado com antecedência sobre operações especiais". O texto acrescenta, porém, que "é sugerido ao seu titular que não se ausente de Brasília nos casos que possam demandar sua atuação. Não informando sobre os detalhes da operação." O comunicado lido pelo delegado da PF em Curitiba termina dizendo que "a Polícia Federal, instituição do Estado brasileiro, reafirma sua atuação de acordo com o estado democrático de direito".

Bens bloqueados

Logo após a prisão de Palocci, o juiz Sergio Moro decretou o bloqueio de até R$ 128 milhões em contas-correntes do ex-ministro e dois assessores. O bloqueio foi determinado no último dia 12, mas foi divulgado somente nesta segunda-feira após deflagrada a 35ª fase da operação. O bloqueio de bens determinado por Moro foi solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo as investigações, Palocci e outros integrantes do PT foram beneficiados com o pagamento de recursos de origem ilegal feito pela Odebrecht. Ainda segundo o MPF, Palocci teria atuado em benefício da empreiteira enquanto exercia cargos públicos como o de deputado federal. Assista ao vídeo no qual Moraes vaza informações da Lava Jato:
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