O secretário das Finanças filipino, Cesar Purisima, pediu a presidente do país Gloria Macapagal Arroyo que renuncie e siga o exemplo dele e de sete outros membros do gabinete que deixaram seus cargos a pedido dela.
Os oito membros do ministério pediram à sua ex-chefe que entregasse o comando do governo para seu vice, Noli de Castro.
A polícia elevou o nível de alerta para máximo na capital Manila depois da demissão em massa, anunciada em entrevista coletiva. O chefe militar do país anunciou que o Exército não vai intervir na crise política.
A presidente enfrenta exigências de renúncia por parte da oposição devido a acusações de que ela teria trapaceado para vencer as eleições do ano passado e de que membros de sua família receberiam pagamentos vindos do jogo ilegal. Arroyo disse nesta quinta-feira que não renunciará.
Purisima disse que o surpreendente anúncio de Arroyo havia antecipado um pedido de demissão em massa da equipe econômica devido a decisões recentes da presidente que teriam mostrado que ela está mais preocupada com sua sobrevivência política do que com as reformas fiscais.
-Quanto mais a presidente ficar no poder, sob uma nuvem de dúvida e desconfiança, e com o estilo que tem de tomar decisões, pior será para a economia - disse Purisima com lágrimas nos olhos.
Arroyo disse que pediu a demissão de seu gabinete para ter a liberdade de promover reformas econômicas e políticas, mas acrescentou que sua nova equipe teria "as mãos livres na governança".
- É simplesmente verdade que o sistema político do qual eu faço parte se degenerou ao ponto de necessitar de mudanças fundamentais disse ela em pronunciamento no rádio e na televisão.
Arroyo, cujo segundo mandato vai até 2010, não faz segredo de sua intenção de mudar o sistema bicameral do país para um que tenha somente uma casa parlamentar, acelerando assim a aprovação de leis.
Apesar das críticas da oposição contra Arroyo, as manifestações contrárias a ela têm sido relativamente pequenas. Seus adversários carecem de um líder unificador e têm oferecido poucas idéias para desenvolver a economia.
Por outro lado, a base de apoio da presidente, formada por grupos empresariais, profissionais de classe média e pela Igreja Católica, tem começado a demonstrar sinais de recuo.