Rio de Janeiro, 13 de Fevereiro de 2026

Ministro nega que haja combinação de votos no Supremo Tribunal Federal

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto negou, na quinta-feira, que haja combinação de votos no julgamento da denúncia do mensalão, em que o Ministério Público Federal acusa 40 pessoas de envolvimento em um esquema de compra de votos para apoio ao governo. (Leia Mais)

Quinta, 23 de Agosto de 2007 às 09:20, por: CdB

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto negou, na quinta-feira, que haja combinação de votos no julgamento da denúncia do mensalão, em que o Ministério Público Federal acusa 40 pessoas de envolvimento em um esquema de compra de votos para apoio ao governo. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o ministro respondeu que trocar mensagens eletrônicas durante a sessão faz parte de uma rotina dos ministros, trocamos impressões, não adiantamos voto nenhum.

Na qunta-feira, reportagem do jornal O Globo mostra a reprodução de conversas mantidas no computador por ministros da Casa, pela intranet, durante a sessão da última quarta-feira. Durante a primeira sessão do julgamento, uma conversa entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, na intranet, foi fotografada e reproduzida pelo jornal O Globo na edição de hoje. O diálogo mostra que ambos discutiam pontos do mérito da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.

Segundo Ayres Britto, esse tipo de troca de mensagens é uma forma de descontrair um pouco a sessão.

- Às vezes, a sessão é muito demorada, muito tensa e nós trocamos algumas impressões, mas ninguém adianta voto para ninguém. Quando um juiz decide, ele decide solitariamente, sentadinho no tribunal da sua própria consciência - afirmou.

O ministro afirmou que no STF não existe nenhum tipo de arranjo.

- Aqui não existe arranjo, não existe alinhamento, ninguém se alinha com ninguém.

Sobre a possibilidade de a troca comprometer o julgamento, Ayres Britto disse que não acredita.

- Não atrapalha. Esse julgamento está sendo conduzido muito bem pela presidente Ellen [Gracie, presidente do STF]. Para ele, a divulgação das mensagens não significa deslegitimação do processo e muito menos do Supremo.

O ministro considera, no entanto, que o jornal extrapolou.

- Eu ainda não li. Algumas pessoas telefonaram me dando conta do conteúdo da reportagem, porém achei uma demasia.

De acordo com Ayres Britto, jornais bisbilhotam.

- Invadem a privacidade da gente, mas isso não me afeta em nada - diz.

O diálogo entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia mostra que ambos discutiam pontos do mérito da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal. Lúcia afirma que seria "conveniente" um encontro com Lewandowski e assessores para saber a opinião deles e a que está "dominando toda a comunidade".

Tags:
Edições digital e impressa