O ministro israelense dos Assuntos Exteriores, Silvan Shalom, responsabilizou neste domingo Síria e Líbano pela tensão na fronteira libanesa entre a milícia islâmica do partido de Deus (Hezbollah) e o Exército de Israel.
Em declarações à rádio pública israelense, Shalom garantiu que seu país "não tem interesse em uma escalada" das hostilidades com esses milicianos pró-iranianos, que operam no sul libanês em território sob controle do Exército da Síria.
A tensão foi deflagrada na última sexta-feira depois que artilheiros do Hezbollah, pela primeira vez nos últimos oito meses, lançaram um ataque a granadas contra bases militares de Israel em Har Dov, na fronteira com o Líbano.
— Esse ataque foi muito grave e os responsáveis são os sírios e os iranianos, pois sírios e libaneses são os que devem impedir o Hezbollah que dispare seus projéteis contra bases israelenses e contra as povoações do norte — criticou Shalom.
Israel apresentou uma queixa oficial ao secretário-geral da ONU, Kofi Anan, pelo ataque e advertiu os Governos de Beirute e Damasco, que apóiam as operações dessa milícia, que "fará o necessário" para proteger seus habitantes.
Ontem, após tomar conhecimento da reclamação oficial israelense na ONU e no Conselho de Segurança, cujo presidente rotativo é exatamente a Síria, o Hezbollah disparou duas bombas que atingiram um imóvel da cidade de Kiriat Shmona, a 9 quilômetros da fronteira.
Um dos projéteis danificou ligeiramente um muro do edifício, mas não houve vítimas, além do ataque de pânico de duas mulheres que tiveram de ser atendidas.
Um oficial da zona militar do norte de Israel afirmou que foi "um ataque terrorista", pois os projéteis foram disparados contra a população civil nessa cidade e não contra aviões israelenses que teriam violado o espaço aéreo libanês.
— Quem deve temer por uma escalada é o Líbano e a Síria, não nós — disse o comandante dessa zona militar, general Beny Gans, que ordenou contra-atacar na sexta-feira os milicianos libaneses por meio de fogo de artilharia e bombardeios da Força Aérea.
— Espero que esses ataques não se repitam, mas se isso ocorrer, naturalmente, reconsideraremos nossa posição e faremos tudo para proteger a nossa cidadania — afirmou o ministro israelense dos Assuntos Exteriores.
Ministro israelense responsabiliza Síria e Líbano pela tensão na fronteira
Domingo, 10 de Agosto de 2003 às 05:55, por: CdB