O ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, acusou canais regionais transmitidos via satélite de incitar a violência e insinuou que o Iraque pode proibir a Al Jazeera de operar no país.
"Al Jazeera, Al Arabiya, al-Manar e al-Alam transformaram-se em canais de incitação e contrários aos interesses, à segurança e à estabilidade do povo iraquiano", disse Zebari à Al Jazeera.
"Há forte discussão entre algumas autoridades do governo iraquiano sobre o fechamento da Al Jazeera. Infelizmente, ela está sendo manipulada pelos grupos terroristas e não vamos tolerar essa cobertura tendenciosa", acrescentou ele.
A rede Al Manar pertence ao grupo guerrilheiro libanês Hizbollah, a rede al-Alam é o canal televisivo em língua árabe do Irã e a Al Arabiya, sediada em Dubai, é controlada em sua maior parte por sauditas.
A Al Jazeera, que junto com a Al Arabiya ganhou popularidade entre os telespectadores árabes por sua cobertura da guerra no Iraque em 2003, rejeitou as alegações e disse que vai continuar a cobrir notícias no Iraque.
"A Al Jazeera condena esse método de lidar com a imprensa e considera as alegações e as ameaças, da mesma forma, uma incitação contra o canal e contra sua equipe que trabalha no Iraque", informou a rede em um comunicado enviado à Reuters. O canal Al Arabiya não pôde comentar o caso imediatamente.
No início do mês, a Al Jazeera divulgou um código de ética no qual promete aderir à honestidade, à clareza e ao equilíbrio.Anteriormente, autoridades iraquianas restringiram temporariamente as operações do canal sediado no Qatar, assim como da rede Al Arabiya, acusando-os de incitar a violência.
A administração norte-americana vem criticando repetidamente as coberturas da Al Jazeera e da Al Arabiya, que seriam tendenciosas. Os dois canais transmitiram imagens de ataques contra os Estados Unidos e comunicados de rebeldes iraquianos e sequestradores de reféns no Iraque.