Ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki reuniu-se, neste domingo, com o chefe da agência nuclear da ONU, Yukiya Amano, para discutir a difícil proposta de troca de combustível nuclear que pode suavizar a disputa entre Teerã e o Ocidente, além das inspeções atômicas na República Islâmica.
"O encontro foi realizado em uma atmosfera de negócios", disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em um comunicado.
Mottaki e Amano discutiram a proposta de troca de combustível nuclear e discorreram suas impressões sobre possíveis maneiras de implementá-la, informou a AIEA, sem detalhar nenhuma conclusão.
Em outubro o Irã concordou em princípio em enviar urânio pouco enriquecido para o exterior para um maior processamento, mas depois disse que a troca deveria ocorrer em seu território e simultaneamente.
Essas são condições que as outras partes envolvidas no acordo apoiado pela AIEA (França, EUA e Rússia) disseram não poder aceitar, porque nesse formato o acordo não desperta confiança. O Ocidente crê que o programa nuclear iraniano visa em última instância a construção de armas de destruição em massa. Teerã diz que ele terá somente uso pacífico.
Antes de seu encontro, Mottaki disse à televisão estatal iraniana que as conversas seriam "decisivas e detalhadas."
– A AIEA pode ter um papel mais construtivo. Acreditamos que a troca de combustível poder criar confiança multilateral – afirmou a autoridade iraniana.
O enviado de Washington na AIEA recebeu bem o encontro.
– É uma boa oportunidade para a AIEA expressar suas preocupações ao Irã diretamente – disse Glyn Davies.
Washington tem buscado apoio de Rússia e China, detentores de veto no Conselho de Segurança da ONU, para uma quarta rodada de sanções a Teerã.
A secretária de estado dos EUA Hillary Clinton e o ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov conversaram por telefone sobre a iniciativa norte-americana no sábado, comunicou o Ministério das Relações Exteriores.
– Os ministros tiveram uma discussão detalhada sobre a situação atual em relação ao programa nuclear do Irã, afirmando que novas medidas para sua implementação devem ser tomadas na base do consenso, levando em conta as opiniões de todos – informou, sem mais detalhes.