Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Ministro interino defende relação de Chávez com imprensa

Quinta, 14 de Junho de 2007 às 15:57, por: CdB

O ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, defendeu a posição do presidente venezuelano Hugo Chávez de não renovar a concessão pública da tevê RCTV.
 
- Isso é permitido pela lei e foi aprovado pelo Judiciário venezuelano. Vários outros países não renovaram concessões, inclusive os Estados Unidos -, afirmou, em palestra a estudantes da Universidade de Brasília (UnB).

- Naturalmente, isso deixou os detentores de concessões no Brasil extremamente preocupados -, ironizou.
 
A medida de Chávez foi criticada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que representa as empresas privadas que usam concessões públicas de comunicação no Brasil.
 
- Já viram como é a liberdade de imprensa na Venezuela? Já viram o tom da imprensa em relação ao governo? E foi fechado algum jornal, foi preso algum jornalista? -, questionou.

Mas Pinheiro Guimarães fez ressalva à declaração de Chávez a respeito da posição do Senado brasileiro.
 
- Foi um comentário totalmente inadequado, inconveniente, inoportuno e que prejudica as relações que temos interesse de manter coma Venezuela -, afirmou

Na avaliação do embaixador, independentemente do atual governo, a Venezuela tem importância estratégica para a integração sul-americana. Seja como fornecedor de petróleo, seja como financiador de projetos na região.
 
- Temos que separar a importância da Venezuela para o Brasil e para a América do Sul, da questão específica conjuntural do governo do presidente Chavez -, afirmou.
 
- Temos na Venezuela uma economia que é extremamente rica em recursos naturais -, destacou.

O embaixador mencionou, ainda, a relevância da aproximação política para as relações comerciais entre Brasil e Venezuela. E comprovou com cifras: nos últimos quatro anos, as exportações brasileiras para aquele país subiram de US$ 608,22 milhões (em 2003) para US$ 3,56 bilhões (2006). Também citou projetos brasileiros naquele país.
 
- O total das obras de uma das construtoras brasileiras na Venezuela é de US$ 10 bilhões. O complexo petroquímico da Braskem com a Pequiven [da PDVSA tem o valor de US$ 5,5 bilhões] -, exemplificou.

Tags:
Edições digital e impressa