O ministro Gilmar Mendes
A interpelação popular contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) está em seus últimos detalhes. Uma vez conferidos os documentos e revisados os detalhes, o advogado e blogueiro Eduardo Guimarães acredita ser possível ingressar com a ação "na segunda ou terça da semana". O ministro será interpelado por suspeitar, publicamente, que as 'vaquinhas' promovidas por amigos e correligionários dos petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares seriam irregulares ou se tratasse de alguma forma de 'lavagem de dinheiro'.
"Todos aqueles que enviaram e-mails com documentos tiveram a melhor das intenções e cumprimento essas pessoas pelo espírito cívico, mas ocorreram alguns problemas. Há problemas no preenchimento das procurações, há problemas de falta de algum documento. Enfim, nem todos seguiram as instruções corretamente. Cerca de metade das 411 pessoas que inicialmente disseram que participariam da ação acabaram não enviando os documentos.
Ainda segundo Guimarães, "infelizmente, quase metade das pessoas que enviaram documentos não poderá ser incluída na ação. Há casos, por exemplo, de pessoas que assinaram a procuração mas que não preencheram. Ou seja, a procuração para o advogado tem assinatura com firma reconhecida, mas não foi preenchido o corpo do documento, com nome, RG, CPF, endereço. Essa procuração é inútil. Aí, teríamos que pedir às pessoas que enviaram o documento assim para fazer tudo de novo. É impraticável. Ainda assim, há cerca de 170 pessoas que enviaram tudo certo – e cerca de 100 que não enviaram", afirmou na sua página, em uma rede social.
"O importante, porém, é que um grupo considerável de pessoas será signatário dessa medida. Acredito que nunca antes na história desse país quase duas centenas de pessoas entraram com uma ação coletiva contra uma autoridade como um ministro do Supremo", comemora.
Apoio a Zé Dirceu
Trezentos reais, esse foi o valor que Maria Auxiliadora Galhano, professora de história aposentada, doou na campanha “Apoio Zé Dirceu”. A explicação de Dora para a doação é simples: "Dirceu é leal, transparente e verdadeiro". Colaborar financeiramente com condenados pela Justiça não é uma atitude comum no Brasil. Jornalistas do portal R7 procuraram a ex-professora para entender as razões que a levaram a doar para a campanha de Dirceu.
"Dora, como é conhecida, tem 69 anos, não é filiada ao PT e não se considera militante política, mas ainda assim abriu mão do valor para colaborar com o acusado. Também não tem ligação pessoal com Dirceu, a não ser pelo fato dela ter passado a infância em Passa Quatro, Minas Gerais, cidade natal do petista, e ter acompanhado sua trajetória desde o início", diz a reportagem.
Segundo ela, o que a fez tirar R$ 300 da sua renda para ajudá-lo foi ter acompanhado o processo do mensalão desde o início e acreditar na injustiça das condenações. Mesmo sem conviver com o ex-chefe da Casa Civil, ela é incansável ao defender sua honestidade.
– Acompanhei tudo do mensalão na íntegra. Li livros e matérias a favor e contra, e sei que José Dirceu é leal, transparente e verdadeiro. Uma das pessoas mais inteligentes desse País. Tenho certeza que ele faria tudo o que fez novamente pelo idealismo, ele é profundamente verdadeiro. Foi envolvido na história porque sua inteligência incomoda – afirmou.
Quando ficou sabendo da arrecadação por meio do blog do Dirceu, Dora foi fazer a doação no mesmo dia. Ela, que só vai ao banco uma vez por ano, conta com orgulho que fez questão de ir pessoalmente realizar o depósito.
Sabendo das acusações de lavagem de dinheiro que cercam o partido, ela diz que enviou o comprovante da transferência para o PT e sabe que precisa declarar o valor no Imposto de Renda, a fim de que não paire nenhuma dúvida.
Outros envolvidos no caso, como José Genoino e Delúbio Soares, também receberam doações para quitar suas multas, mas não contaram com o apoio de Dora. Apesar de ter ficado na torcida, ela afirma que sua situação financeira não permitiu doações naquele momento.
A ex-professora não se queixa por ter ajudado um condenado e diz que nunca teve dúvida da integridade e honestidade dos envolvidos no caso.
– A justiça nesse País é muito parcial. Com Genoino foi a mesma coisa. Ele não pegou dinheiro de ninguém, sempre manteve o mesmo padrão de vida. Até hoje está sendo injustiçado e não está em regime semiaberto por perseguição. Conheço pessoas que acham que ele desviou o dinheiro, mas eu acompanhei tudo e vi o outro lado – acrescentou.
Dora doou a Dirceu por convicção e acredita que é por isso que as pessoas ajudam com qualquer valor: "fiquei sabendo de gente que colaborou com R$ 12". Depois de doar para a campanha, a ex-professora está agora na torcida para que o processo seja reavaliado pela Comissão de Direitos Humanos. Dora acredita que, em algum momento, as supostas injustiças serão reconhecidas.
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