O ministro da Justiça, Tarso Genro, garantiu nesta quinta-feira que não há nenhum acampamento de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território brasileiro. Ele admitiu, no entanto, a probabilidade de que civis transitem na fronteira do Brasil com a Colômbia.
- Posso garantir que aqui não há nenhum acampamento das Farc. O que pode haver é o cruzamento da fronteira por pessoas civis que entram no território brasileiro para comprar mantimentos - afirmou.
Tarso Genro disse que, se for registrada a presença de bases da Farc no país, o governo agirá dentro da legalidade para coibir a ação dos guerrilheiros colombianos:
- Há um ano, mais ou menos, houve uma presença que foi rapidamente repelida e isso não mais se repetiu. A Polícia Federal evidentemente tem o controle da região na sua competência e as Forças Armadas na sua competência. Não há esse problema no país.
Em entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Genro comentou a declaração do presidente do Equador, Rafael Correa, de que provavelmente existam bases das Farc no Brasil, ao ser indagado se sabia que as Farc operavam baseadas no Equador.
A afirmação de Correa foi feita na última quarta-feira depois de encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual ele agradeceu o apoio do Brasil, que condenou a invasão do território equatoriano pelo Exército colombiano.
Jobim
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia se pronunciado na última quarta-feira a respeito das afirmações de Correa. Jobim também reiterou que não há a presença de guerrilheiros em território brasileiro.
- Não há notícias sobre isso (presenção das Farc no Brasil) afirmou o ministro após a visita ao submarino Tycuna, em Niterói.
Nelson Jobim também disse que não há necessidade de fortalecimento nas fronteiras. Segundo ele, o problema já está sendo resolvido diplomaticamente e afirmou também que será criado um Conselho de Defesa Regional Sul-Americano em busca de um plano de paz.
- Temos que pacificar e achamos que a formação de um conselho é o melhor remédio. A idéia é visitar toda a América do Sul neste segundo semestre, buscando soluções.
Desde o último sábado, abriu-se um conflito diplomático entre Equador, Colômbia e Venezuela depois que militares colombianos mataram mais de 20 guerrilheiros das Farc que estavam acampados em território equatoriano, entre eles um dos líderes do movimento, Raúl Reyes.