O ministro francês da Economia e Finanças, Francis Mer, disse que 'todos' os Estados devem participar da reconstrução do Iraque, ao mesmo tempo em que qualificou de 'excelente notícia' para o país árabe a detenção de Saddam Hussein.
- Há muitos esforços a fazer. A coletividade internacional deve participar, todos os Estados - afirmou o ministro em um programa da rede de televisão 'France 3' e em declarações à emissora France Info. Segundo ele, é preciso esperar que haja no Iraque 'uma estrutura jurídica governamental constituída normalmente e internacionalmente reconhecida'.
- Nesse contexto, todo o mundo deve participar - acrescentou o ministro, que considera 'inimaginável' que os Estados Unidos possam se encarregar sozinhos da reconstrução do país.
Na última semana, os EUA anunciaram a exclusão dos países que se opuseram à guerra, como França, Alemanha e Rússia, dos contratos para a reconstrução iraquiana financiados com fundos americanos.
- Os contratos são concedidos atualmente pelos americanos e, se decidirem que estão reservados a empresas dos Estados Unidos, ninguém pode fazer nada, mas é inimaginável que isso possa se aplicar à ação de reconstrução do Iraque, pois superará amplamente os meios dos Estados Unidos - criticou Mer.
- Todo o mundo terá de colocar mãos à obra e imagino que, desse momento, cada um participará - insistiu.
O ministro lembrou ainda que a França preside o Clube de Paris, integrado pelos países credores oficiais bilaterais, que examina o tratamento da dívida dos devedores, e que o enviado especial dos EUA para a reestruturação da dívida iraquiana, James Baker, estará esta semana em Paris.
- Tudo isso deve ser feito de forma responsável, entre pessoas de boa vontade - declarou, alegando que a magnitude dos problemas iraquianos supõe que 'todo o mundo participe'.
Na sua avaliação, a captura de Saddam Hussein deve 'acelerar a construção de um Estado democrático, reconhecido e, nesse momento, tudo se ativa', incluindo 'o tratamento da dívida e a reconstrução com todos os países ocidentais envolvidos'.
O ministro iraquiano interino dos Assuntos Exteriores, Hochyar Zebari, defendeu que os países contrários à invasão também devem ter a chance de participar da reconstrução do país.
- Cada um tem sua parte no futuro do Iraque - frisou Zebari, numa conversa com os jornalistas ao chegar a Paris como membro da delegação do Conselho de Governo interino iraquiano.
- Há uma oportunidade para todos os países, incluindo a França, de participarem da reconstrução - ressaltou.
A delegação iraquiana, que chegou a Paris procedente de Madri, se reúne com o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler francês, Dominique de Villepin.
Villepin disse que a França está disposta a ocupar 'todo seu lugar' na reconstrução do Iraque e dirá à delegação que quer 'ir adiante, seja na ajuda humanitária, na formação da polícia ou na cooperação em outros setores essenciais da economia iraquiana'
Ministro francês da Economia quer participação internacional no Iraque
Segunda, 15 de Dezembro de 2003 às 02:12, por: CdB