Em uma gravação feita pela Polícia Federal na operação Anaconda - que investiga juízes suspeitos de vender sentenças e envolvimento de policiais -, um funcionário de um bingo de São Paulo identificado como Carlinhos diz ao policial César Herman Rodriguez, um dos presos na operação, que a melhor forma para legalizar o jogo não é subornando deputados em Brasília, mas contatar diretamente o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz. A denúncia é manchete deste sábado na Folha de S. Paulo.
A gravação foi feita em 19 de maio de 2003. O ministro confirmou ao jornal ter recebido representantes do setor de bingos em pelo menos duas ocasiões no ano passado para conversar sobre a legalização dos jogos, mas rebate as suspeitas de ter negociado as propostas.
Carlinhos, que não seria o bicheiro Carlos Cachoeira, envolvido nas denúncias contra o ex-assessor do Palácio do Planalto Waldomiro Diniz, disse que teria negociado dinheiro do jogo do bicho para campanhas eleitorais. A Associação Brasileira dos Bingos (Abrabin) teria pago dinheiro a deputados para obter benefícios. O presidente da Abrabin, Olavo Sales da Silveira, nega propinas.
Além disso, Carlinhos, na gravação, comenta os encontros com o ministro Queiroz e diz que ele precisava de "números, porque cortaram a verba dele". Os "números" seriam uma verba suplementar que o bingo propiciaria ao Ministério. Em fevereiro de 2003, o ministério teve um corte de R$ 53,1 milhões no orçamento.
A assessoria do ministro em Brasília ainda não se pronunciou sobre a denúncia.
Bola de Neve
Esta denúncia feita pela Folha de S. Paulo vem a cair como mais uma bomba no Palácio do Planalto em meio às denúncias envolvendo o ex-assessor do ministro José Dirceu. Mal os governistas começaram a trabalhar para impedir a CPI do caso Waldomiro - flagrado cobrando propina para financiar campanhas do PT em 2002 - o governo agora se vê diante de um possível novo escândalo.