Rio de Janeiro, 13 de Outubro de 2026

Ministro do Supremo diz que não vai deixar de usar nomes de operações da PF

Quinta, 06 de Novembro de 2008 às 16:45, por: CdB

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, disse que não irá acatar a recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que juízes evitem utilizar em seus despachos os nomes dados pela Polícia Federal (PF) as suas operações.

A orientação foi aprovada na última terça-feira no CNJ sob alegação, defendida pelo ministro Gilmar Mendes, que preside o órgão e também o STF, de que os nomes de determinadas operações da PF já seriam uma espécie de pré-julgamento. A tese é rejeitada pelo ministro Marco Aurélio.

- Vou [continuar usando] e até fico admirado com a criatividade no campo das nomenclaturas. Não me cabe atuar administrativamente. Se isso merece ser coibido, e eu penso que não merece, quem deve atuar é o executivo, o diretor-geral da Polícia Federal, o Ministro da Justiça e o Presidente da República - afirmou Mello.

Bem humorado, o ministro citou como exemplo a Operação Hurricane.

- Se eu tivesse que ser contra, seria em primeiro lugar contra o fato dar a furacão nome de mulher - ironizou.

Segundo o ministro, a espetacularização indevida de operações da PF não ocorre em virtude dos nomes, mas sim dos vazamentos para veículos de comunicação.

- O grande problema é acompanhamento pela imprensa de diligências porque isso ofende a dignidade do envolvido e o submete à execração pública. É aí que está o erro - avaliou.

Os ministros do STF analisam nesse momento o mérito do habeas corpus apresentado pela defesa de Daniel Dantas contra a prisão preventiva do banqueiro ocorrida em julho desse ano no curso da Operação Satiagraha da PF. À época Dantas foi posto em liberdade por duas liminares concedidas pelo ministro Gilmar Mendes.

Questionado se o julgamento envolve uma afirmação de autoridade do STF, Marco Aurélio deixou claro não enxergar a ação dessa forma.

- Processo para mim não tem capa e não estou julgando integrantes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência], da PF, juiz federal, integrantes do Ministério Público, ministro e nem mesmo os pacientes. Agora, se alguém está, não sei - disse o ministro.

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