O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou nesta segunda-feira, em São Paulo, que o balanço das empresas, no primeiro semestre e também no ano passado, indica que o empresariado não tem do que reclamar, já que a rentabilidade das indústrias está maior até que a dos bancos.
- Acho que as empresas brasileiras estão tendo uma lucratividade alta e produção bastante grande - disse ao participar do encontro África: Fórum de Negócios, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O ministro reconheceu que as reclamações são normais e disse ainda que o papel do empresário é insistir e reivindicar, assim como dos trabalhadores, e o governo tem que arbitrar essas reclamações.
- Eu reclamei muito quando estava do outro lado e acho absolutamente normais as reclamações - observou.
O ministro reforçou que embora o país esteja passando por um arrefecimento da inflação, é preciso ter cuidado. “Nó temos que ter cuidado para que a inflação não volte. Temos que ter atenção porque ela precisa não só arrefecer, mas voltar a patamares aceitáveis como eram antes desse processo de crescimento”, alertou Miguel Jorge.
O ministro afirmou que o Brasil tem mantido boas relações, políticas e comerciais, com os países africanos, especialmente nos últimos três anos, já que a determinação do presidente Lula é a de que os países do continente sejam prioridade para o governo, tanto nas relações comerciais, quanto nas diplomáticas.
- As prioridades são as de estabelecer relações comerciais e participarmos do esforço de desenvolvimento de alguns países africanos - disse.
Ele ressaltou que existe um escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na África e está em fase de implantação um escritório da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para colaborar no desenvolvimento da indústria de alguns dos países africanos.
- Acho que temos um grande esforço a fazer em aproximar cada vez mais os países africanos do Brasil - disse.
Miguel Jorge reforçou que o etanol pode ser um fator importante nessas relações, para dar condições de emprego no continente, ajudar o crescimento dos países e fazer com que passem a ser exportadores de produtos de maior valor agregado. A ABDI promove e executa políticas de desenvolvimento industrial e sua gestão é supervisionada pelo Ministério do Desenvolvimento.
O ministro destacou que as vendas para a África, no primeiro semestre, aumentaram 11,5%, totalizando US$ 5,3 bilhões, em comparação com o mesmo período do ano passado. Já as importações brasileiras cresceram 68,2% e totalizaram US$ 9,6 bilhões no período.
Assim, o déficit no comércio com a África, até julho, é de US$ 4,3 bilhões, mas para Miguel Jorge, não significa desequilíbrio.
- Embora esses números sejam importantes, o negócio entre os países africanos e o Brasil ainda têm um enorme potencial de expansão em todos os setores econômicos - afirmou.
Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Gianetti da Fonseca, a cooperação brasileira, do ponto de vista do relacionamento com a África, é melhor do que o continente poderia ter com outros mercados. “O Brasil tem um conhecimento e uma atitude em relação à África, e uma similaridade que ninguém mais tem”, avaliou.
Para a embaixadora da África do Sul no Brasil, Lindiwe Zulu, a proximidade geográfica entre a África e o Brasil é um ponto positivo para o comércio entre os dois mercados.
- O Brasil tem mais afinidades com a África e, por isso, o Brasil não deve temer a concorrência com a China - observou Zulu.
Segundo ela, o estabelecimento de uma relação comercial e cultural entre África e Brasil é um processo de duas vias.
- A África pode produzir o que o Brasil pode comprar e, daí, pode-se construir uma relação comercial forte - completou.