Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2026

Ministro diz que tudo não passa de suposição

Segunda, 21 de Maio de 2007 às 10:36, por: CdB

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, negou nesta segunda-feira a existência de provas de seu envolvimento nas fraudes descobertas pela Polícia Federal através da Operação Navalha. Em Assunção, capital do Paraguai, onde participa de visita de negócios do governo brasileiro, ele disse que, quando muito, há uma "suposição".

Na quinta-feira, quando a operação foi deflagrada, dois assessores do ministério (Sérgio Luiz Pompeu de Sá e o chefe de gabinete Ivo Almeida Costa) foram presos - o segundo foi exonerado no mesmo dia. No fim de semana, imagens e diálogos veiculados pela imprensa reforçaram a suspeita de que o ministro esteja envolvido, pois teria recebido propina de R$ 100 mil da construtora Gautama, do empresário Zuleido Veras (também preso) por facilitar licitações do programa Luz Para Todos.

"Pode haver uma suposição. Eu não acredito que a Polícia Federal tenha dito isso [que ele está envolvido], porque teria que haver uma prova", afirmou Rondeau.

O ministro também se disse à vontade para permanecer no cargo, por não ter o que temer. "Estou absolutamente convicto de que não existe nada que venha comprometer [minha situação], e isso aí vai ser provado na Justiça".

Outra prisão que resvalou no Ministério de Minas e Energia foi do diretor-presidente da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), Jorge Targa Juni, empresa vinculada à Eletrobrás. Rondeau determinou seu afastamento na quinta-feira.

A organização criminosa descoberta pela Polícia Federal desviou recursos dos Ministérios de Minas e Energia; Planejamento; Integração Nacional; Cidades; e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). O esquema passava por dez estados e o Distrito Federal, envolvendo crimes como fraudes em licitações, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro, segundo a PF.

Ao todo, 46 pessoas foram presas. Os acusados começaram a depor hoje, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Polícia Federal também acompanha os depoimentos, que são fechados porque o inquérito corre em segredo de Justiça.

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