O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, não pretende ceder à pressão dos manifestantes "camisas vermelhas" para que renuncie e dissolva o Parlamento, disse na quinta-feira o ministro das Finanças, Korn Chatikavanij.
Sob forte calor e em clima de tranquilidade, o país celebra na quinta-feira o último dia do feriado prolongado do ano-novo tailandês, mas milhares de manifestantes já começam a se reunir em um bairro rico de Bangcoc para novos protestos.
Analistas dizem que os dias de Abhisit no poder estão contados, e que cresce o risco de um golpe militar.
– Ele não está pretendendo (renunciar) – disse à Reuters o ministro Korn, que foi colega de Abhisit em Oxford.
– Seria muito negativo para o país em longo prazo – completou.
Após mais de um mês de crise, confrontos entre soldados e manifestantes deixaram 22 mortos no fim de semana, abalando ainda mais o governo e a confiança dos mercados. Na segunda-feira, a Bolsa local teve queda de 3,64%, antes de fechar para o feriado. A expectativa é de nova queda na reabertura do pregão, na sexta.
Mas Korrn disse que um lado bom disso é a desvalorização do baht, o que beneficia exportadores. O banco Morgan Stanley, no entanto, estima que o crescimento econômico neste ano será reduzido em 0,2 ponto percentual por causa do impacto negativo da crise política sobre o turismo, que representa 6% do PIB e emprega 1,8 milhão de tailandeses. A perda na confiança do consumidor poderia gerar uma contração de 0,6 ponto percentual. O governo prevê um crescimento de 4,5% em 2010 se os protestos não se prolongarem.
Uma operadora de turismo disse que a ocupação hoteleira em Bangcoc está abaixo de 30%, quando o normal é entre 80-90%. Os bares no famoso bairro da praça Nana estão excepcionalmente pacatos.
– Estamos sangrando continuamente, já que os cancelamentos de pacotes ocorrem sem parar – disse Charoen Wangananont, porta-voz da Federação Tailandesa das Associações de Turismo, ao canal a cabo TNN.
Os "camisas vermelhas", em geral partidários do ex-premiê Thaksin Shinawatra, prometem usar o sofisticado bairro de Rachaprasong como seu "campo de batalha final" contra o governo.
A polícia e o Exército não impedem a concentração deles no bairro, adotando a discrição na quinta-feira, após uma noite tranquila na cidade.
Os manifestantes usam sombrinhas e lonas para se protegerem do calor de até 38C. Outros dormiam à sombra, em plena calçada, ou em tendas, enquanto o sistema de som tocava músicas populares.
Abhisit permanece longe da imprensa, refugiado em um quartel na periferia de Bangcoc. A Tailândia teve 18 golpes de Estado em 77 anos, o último deles em 2006, quando Thaksin foi deposto e fugiu para o exílio.
Ministro diz que premiê da Tailândia não vai renunciar
Quinta, 15 de Abril de 2010 às 08:16, por: CdB