Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Ministro diz que mercado brasileiro não deve ser usufruído por aventureiros que vêm de fora

Terça, 02 de Agosto de 2011 às 10:03, por: CdB

Daniel Lima, Yara Aquino, Luciene Cruz e Pedro Peduzzi
Repórteres da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (2) que o mercado brasileiro deve ser usufruído pela indústria brasileira e não pelos aventureiros que vêm de fora. A declaração foi feita na divulgação do Plano Brasil Maior, que inclui a nova política industrial, tecnológica, de serviços e de comércio exterior do governo federal e prevê medidas para combater a competição desleal dos produtos importados, sem qualidade e com preços superficialmente baixos, com os produtos nacionais.

Mantega defendeu que o Brasil continue a respeitar as regras de livre comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas que é importante tomar medidas que deem mais condições para a indústria nacional “competir em pé de igualdade” com as importações. “É um conjunto de medidas para fortalecer a indústria brasileira e dar a ela condições de competir em um ambiente adverso em que estamos vivendo hoje”.

Ele voltou a lembrar da crise financeira mundial decorrente de problemas que se arrastam desde 2008 e que, em sua avaliação, não devem ser resolvidos no curto prazo. “Pelo contrário, temos visto, nas últimas semanas, os Estados Unidos a beira de default [calote da dívida], algo histórico, que nunca tínhamos visto na história”, observou.

Outro problema, de acordo com Mantega, é a crise que atinge os países da zona do euro, vários deles com dívidas públicas elevadas. Ele disse que o cenário atual prejudica o setor manufatureiro, principalmente nos principais países considerados avançados. E mesmo nos países emergentes, que conseguiram sair da crise, há problemas nas exportações e no cumprimento de metas que permitam o crescimento da economia.

“Vemos hoje a indústria manufatureira mundial se defrontando com uma grande capacidade ociosa e buscando mercado a qualquer custo. E diria que nós estamos em um cenário de concorrência predatória no mundo.”

O ministro criticou ainda a chamada guerra cambial, que tem feito com que os países ditos avançados prejudiquem, inclusive, a indústria brasileira. “Os países avançados têm praticado política cambial que manipula o dólar, para aumentar a competitividade na chamada guerra cambial. Os Estados Unidos, com sua política monetária expansionista, estão baixando o valor do dólar”, avaliou.

A prática, na avaliação de Mantega, só resolve a crise para fora dos Estados Unidos, aumentando as exportações, mas não soluciona a crise doméstica norte-americana. “Nós temos combatido, com medidas, para evitar que o real se valorize mais que o dólar. E se não tivéssemos tomado essa medida, em um momento em que o dólar estava derretendo, acredito que iria ficar abaixo de R$ 1,50 no Brasil”.

Mantega admitiu que a situação atual é uma “luta difícil, diante de uma crise prolongada e que, por isso, não bastam apenas medidas cambiais, mas, sim, medidas que realmente fortaleçam a indústria nacional.

Edição: Lana Cristina
 

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