Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Ministro diz que existem indícios de mandado criminal no caso Dorothy

Segunda, 28 de Março de 2005 às 12:17, por: CdB

Ao comentar o sucesso das investigações que levaram à prisão do último acusado da autoria do assassinato da missionária americana Dorothy Stang, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que, neste caso, existem indícios suficientes de autoria do mandado criminal. Bastos participou hoje da inauguração do novo prédio do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília, por ocasião do 61º aniversário da Polícia Federal (PF).

Ele disse toda a investigação do caso foi feita dentro do estado democrático de direito e ressaltou que a PF, junto com as policias estaduais, cumpriu seu dever.

- A polícia investigou, decifrou o crime - disse o ministro, assinalando que existem várias evidências contra o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, preso ontem no Pará.

- Agora, isso tudo vai ser processado pelo poder judiciário, federal ou estadual, dependendo do que for decidido na questão da federalização, e depois será julgado pela soberania do tribunal do júri.

Bastos lembrou que a polícia não julga pessoas, apenas recolhe elementos que comprovem a existência do crime e indícios suficientes de autoria. E isso foi feito com profissionalismo exemplar, destacou.

O ministro informou que hoje o Ministério da Justiça está trabalhando dentro de um esquema em que não se tenta apenas uma solução cosmética, nem se aponta apenas um bode expiatório.

- No caso da irmã Dorothy, o trabalho integrado de segurança da Polícia Federal e da polícia estadual podia ter parado nos pistoleiros, como aconteceu, por exemplo, no caso Chico Mendes. Parou-se e se disse: está decifrado o crime - lembrou o ministro.

- Aqui, não. Aqui, nós percorremos todos a cadeia causal. É um trabalho conjunto, e isso vai ser feito em todos os lugares, inclusive, naqueles onde se deva investigar sumiço ou parada de inquérito - assegurou.

Sobre a nova sede do Instituto Nacional de Criminalística, Thomaz Bastos observou que se trata de um momento simbólico no trabalho da PF.

- A presença de alguns ex-diretores dá a idéia da continuidade do trabalho de uma política de segurança, que deve ser uma política de segurança de Estado, e não uma política de segurança de governo - explicou.

Para o ministro, a PF está mudando de paradigma:

- Desprezando a prova da autoria consistente no interrogatório e buscando encontrar na prova técnica, na definição científica a demonstração irrefutável da autoria dos crimes.

Ele disse que o novo INC representa mais um degrau na escada em direção à uma polícia que privilegia, por exemplo, o planejamento, a inteligência e o uso dos recursos modernos de investigação, como o monitoramento telefônico, o DNA e a prisão temporária, não como uma medida de coerção, mas sim como uma ferramenta de investigação.

- Hoje não se pode mais investigar simplesmente um caso de corrupção. É preciso que se investigue também a lavagem de dinheiro, que é causa final desse crime de corrupção e, desse modo, é necessário que se tenha uma ação integrada e científica nesse novo paradigma que é a polícia científica.

Thomaz Bastos disse que o governo vai continuar com esse trabalho integrado que envolve a construção de um sistema único de segurança pública no Brasil, com a interpenetração de experiências federais, das secretarias de Segurança Pública, das polícias civis e das polícias militares. O ministro também transmitiu um recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o ministro, o presidente tem um grande orgulho da Polícia Federal e espera que:

- A PF continue a fazer o trabalho de segurança de Estado, impessoal, que não persegue, que não protege, que trabalha na direção de um Brasil seguro.

O diretor do Instituto de Criminalística, Otávio Brandão Caldas Neto, ressaltou que o novo INC é um marco para a criminalística brasileira.

- Nós vamos ter condições de receber os equipamentos que estão previstos n

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