Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Ministro diz que decisão sobre juros não pode ser tomada em assembléia

Quinta, 28 de Abril de 2005 às 12:26, por: CdB

O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, disse nesta quinta-feira que não dá para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ir ao Congresso Nacional toda vez que houver mudanças nos juros.

Ele se referia à proposta do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que defende a ida do presidente do BC, Henrique Meirelles, ao Congresso para explicar as decisões do Copom.

- É preciso definir um regra para essa situação. Instituir um sistema com autonomia operacional do BC e prestação periódica de contas ao Congresso. Seria mais avançado do que é hoje. Não dá é para depois de cada reunião ter um debate no Congresso, porque não resolverá nada e poderá terminar no aumento dos juros - afirmou.

Questionado se a dose do remédio não está muito alta, ou seja se os juros não estão elevados demais, Bernardo fez uma comparação entre as discussões sobre as taxas e a ida dos técnicos do BC ao Congresso e as opiniões das torcidas de futebol sobre as escalações dos técnicos.

- Estamos parecendo torcida de futebol. Precisamos definir uma regra e ver quem vai escalar o time. É preciso ter um técnico - uma pessoa para escalar o time. Não dá para ser todo mundo. Acho que o Banco Central é quem tem que fazer isso - enfatizou o ministro.

Ele concorda que o debate é legítimo, mas acredita que não dá para ficar definindo os juros em assembléia, porque a decisão tem que ser técnica.

- A ata é para isso. Para que nós, autoridades e dirigentes, possamos analisar e criticar a decisão do Copom.

Sobre a ata da última reunião do órgão, que na semana passada elevou a taxa básica de 19,25% para 19,50%, Bernardo não quis fazer muitos comentários alegando que tinha lido o documento rapidamente no computador.

- Parece que não há novidade nenhuma. Estão aumentando os juros há oito meses. Não vejo nada de novo - disse.

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