O ministro da Justiça, Márcio Tomaz Bastos, desmentiu nesta quinta-feira a Rede Globo, que em reportagem veiculada em seus telejornais na última quarta-feira atribuiu ao ministro a determinação de suspender o repasse de verbas para a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Tomaz Bastos salientou ainda, que em nenhum momento cogitou essa atitude e confirmou que o Paraná continua beneficiado pelos repasses e integrado ao Programa de Integração Nacional de Informações de Justiça e Segurança Pública (Infoseg).
O ministro também isentou o Paraná de qualquer responsabilidade sobre a demora na prisão de Adriano da Silva, assassino confesso de 12 crianças no Rio Grande do Sul.
O secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari salientou que desde o início do ano passado, o Paraná já recebeu R$ 6,8 mihões do Governo Federal. "O dinheiro já está em poder do Estado desde o ano passado. E deveremos receber mais cerca de R$ 10 milhões neste ano", confirmou Delazari.
Mais uma vez, o secretário lembrou que não houve falha da polícia paranaense na liberação do assassino confesso de 12 crianças no Rio Grande do Sul, Adriano da Silva. Delazari recordou que, quando foi preso pela polícia gaúcha, em setembro de 2003, Adriano apresentou um Boletim de Ocorrência de extravio de documento de identidade em nome de seu irmão, Gabriel.
- Ele se apresentou com um nome falso. Este nome foi consultado e não havia nada. A liberação do Adriano por parte da polícia gaúcha não tem nenhuma relação com o fato de o Paraná estar atualizando seus dados no Infoseg. Se houve alguma falha da polícia do Paraná, foi em 2001, quando ele conseguiu fugir da delegacia de União da Vitória- observou.
Adriano foi preso em 2001, condenado a 27 anos de reclusão por latrocínio (roubo com morte). Após fugir da delegacia de União da Vitória, no Sul do Paraná, no mesmo ano em que foi preso, Adriano da Silva foi detido em setembro de 2003 em Passo Fundo, no interior do Rio Grande do Sul, como suspeito pelos assassinatos das 12 crianças.
Somente em novembro de 2003, a polícia gaúcha entrou em contato com a Delegacia de Polícia de União da Vitória, que informou que Gabriel reside no município. Os policiais de União da Vitória estranharam o envolvimento de Gabriel e informaram que o irmão dele, Adriano, tinha passagens pela polícia, inclusive uma condenação, e estava foragido.
A polícia gaúcha enviou então a foto do depoimento do suposto Gabriel para a Delegacia de União da Vitória, onde foi imediatamente identificado pela polícia paranaense como Adriano da Silva, procurado por latrocínio. Todas as informações foram repassadas à polícia gaúcha, inclusive o mandado de prisão.
Atualização
Em virtude de uma série de falhas constatadas no atual sistema (Infoseg) - como a demora para a atualização das informações, em abril de 2002, o sistema de cadastro de mandados de prisão do Paraná foi modernizado e iniciou-se um processo de atualização junto ao programa nacional, cujos dados não eram confiáveis.
Em maio de 2003, o Paraná iniciou um processo de atualização de seu banco de dados do Programa de Integração Nacional de Informações de Justiça e Segurança Pública (Infoseg) em virtude de as informações estarem incompatíveis com o sistema paranaense. Esta situação gerava injustiças aos cidadãos que tinham seus mandados de prisão revogados pelo Poder Judiciário, uma vez que o cadastro nacional não estava atualizado. O cronograma acordado com o Ministério da Justiça prevê que o Paraná deverá atualizar seus dados até maio de 2004.
Nesta quinta-feira, a Justiça do Paraná emite o mandado de prisão e o insere no sistema da Companhia de Informática do Paraná (Celepar). A Polícia Civil, através da Delegacia de Vigilância e Captura, ainda está atualizando seus dados junto ao Celepar.