Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Ministro da Justiça diz que não há crise entre poderes

Ministro da justiça sai em defesa do presidente, um dia depois de Lula atacar magistrados que querem proibir programas sociais em ano eleitoral.

Sexta, 29 de Fevereiro de 2008 às 09:48, por: CdB

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta sexta-feira que "não há nenhum tipo de crise entre os poderes" ao comentar as afirmações feitas na última quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a postura de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) diante das ações do Executivo em anos eleitorais.

Durante o lançamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Sergipe, Lula disse que seria bom que o Judiciário "metesse o nariz apenas nas coisas dele". Sem citar nomes, disse que, se é para falar bobagens, o ministro do STF deveria renunciar.
Tarso lembrou que a relação entre os poderes é harmoniosa, mas independente, e que as declarações de Lula foram uma reação.

- O presidente reagiu. O caso concreto é que algum magistrado vem adiantando posições sobre a possibilidade de o Executivo fazer políticas públicas em anos que têm eleições. Isso pode ser traduzido como adiantamento de voto ou início de uma acusação. Isso permite que o poder que está sendo eventualmente acusado adiante sua defesa - afimou Tarso Genro.

O ministro não quis comentar se as declarações do presidente se dirigiam a algum magistrado específico do STF.

- Não há nenhum tipo de crise no relacionamento entre os poderes. As duas posições foram pontuais, (eles) estão exercitando sua função de autonomia e ao mesmo tempo marcando suas posições.

Ministro do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condenou o aumento do Bolsa Família em ano eleitoral.
Em entrevista à rádio CBN, Marco Aurélio disse que ficou "perplexo com a agressividade" com as afirmações de Lula e disse que nem ele, nem o Poder Judiciário vão mudar de postura após as pesadas críticas.

- De forma alguma. Enquanto eu tiver a toga sobre os ombros, eu cumprirei o meu dever de juiz e cumprirei com espontaneidade e com uma coragem ainda maior para tornar a prevalecente o direito posto. Não vejo qualquer extravasamento por parte do Judiciário e fiquei perplexo com o que foi veiculado pelo presidente e com a agressividade do próprio presidente - afirmou.

Em Brasília, Lula defende o programa Territórios da Cidadania, lançado no início da semana, que a oposição pretende questionar em três frentes. No STF, pretendem alegar que o programa foi criado por decreto e não por projeto de lei. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a oposição quer questionar se o programa não fere a lei eleitoral que proíbe distribuição de benefícios em ano eleitoral. PSDB e DEM planejam ir também ao Ministério Público, para questionar a utilização de equipamentos públicos na transmissão de anúncio do programa para vários pontos do país da cerimônia .

Para o ministro da Justiça, a proibição do lançamento de programas sociais em ano eleitoral reduz em dois anos o mandato do Executivo. Segundo ele, essa interpretação da lei é equivocada.

- A valer a posição eunciada, teríamos a redução pela metade do mandato, porque em um ano se poderia fazer política social e no outro não. Isso é levar a interpretação da lei a um absurdo totalmente rematado - afimou Tarso Genro.

Tarso participa do 6º Fórum de Governadores do Nordeste. O encontro reúne os nove governadores da região. O presidente Lula fará a abertura da reunião.

Tags:
Edições digital e impressa