Recém-indicado para o cargo de ministro da Economia argentina, Carlos Fernández foi abordado por um pelotão de jornalistas, nas primeiras horas da manhã, quando saia de casa. Diante de câmaras e microfones, o substituto de Martin Lusteau, que renunciou ao cargo na véspera, agradeceu a indicação e disse que, para ele, "era um reconhecimento muito grande".
- Há anos trabalho com este governo e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance por esse país que quero muito. Sou um trabalhador e, para mim, é um enorme orgulho participar como ministro deste governo - afirmou.
Lusteau, seu antecessor, deixa para o atual ministro a crise com o setor agrícola, iniciada mês passado e ainda sem solução. Carlos Fernández, chefiava a Receita Federal argentina e é um homem próximo ao chefe de gabinete, Alberto Fernández.
- O fato da minha nomeação não altera em nada a condução do governo, que caminha no rumo certo - garantiu aos jornalistas.
O sistema de impostos móveis sobre as exportações de grãos, anunciado no mês passado e que desatou um forte protesto dos produtores rurais, no entanto, é uma das heranças de Lusteau que demanda a habilidade do atual ministro em administrar crises. Após o anúncio desta medida, o setor agropecuário iniciou uma greve comercial de três semanas que se prolongou a ponto de causar o desabastecimento de alimentos no país.
A decisão foi suspensa no início deste mês, mas desde então governo e produtores não conseguiram chegar a um consenso e as negociações estão paradas. Lousteau já não participava mais das conversas e viu seu espaço político ser minado no governo, até a renúncia, na noite desta quinta-feira.
- Faz falta uma mudança de política mais do que mudança de pessoa - disse a um canal de TV Mario Llambías, titular das Confederações Rurais Argentinas, ao saber da renúncia do ministro.
O ex-ministro foi um dos poucos integrantes do gabinete de Néstor Kirchner que havia permanecido no governo da esposa. Ao longo dos últimos meses, vinha enfrentando a oposição do secretário de Comércio Exterior, Guilhermo Moreno, que defende uma nova metodologia de medição do processo inflacionário no país.