O Brasil caminha para ocupar papel de destaque na busca de fontes alternativas de energia, ao investir na produção de biocombustível. A avaliação é do ministro da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, que abriu nesta segunda-feira a Feira Internacional de Agroenergia e dos Biocombustíveis, em Brasília. O encontro vai até quarta-feira e reúne empresários e autoridades do Brasil e do exterior.
Para o ministro, a experiência brasileira no desenvolvimento de combustíveis renováveis pode fazer o país avançar rumo a uma posição de liderança no setor.
- O Brasil tem todas as condições de conduzir a transição da civilização do petróleo para a civilização da bioenergia -, declarou.
O ministro da Agricultura também classificou como "prioridade nacional" a produção de biodiesel com plantas oleaginosas como mamona, dendê e pinhão. Guedes Pinto reafirmou que o governo se comprometeu, por lei, a adicionar 2% de biodiesel ao diesel em 2008.
- Como o país consome 40 bilhões de litros por ano, pelo menos 800 milhões de litros passarão a ser produzidos em breve -, estimou o ministro.
Ele reiterou que o governo está determinado a antecipar a meta de 5% de biodiesel na mistura, que só passaria a valer em 2013. Para isso, o ministro ressaltou a criação do Centro Nacional de Pesquisa em Agroenergia. Desenvolvido este ano pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o centro pesquisa 17 espécies de vegetais e tem investimento previsto de R$ 36 milhões em 2007.
O ministro aproveitou a conferência para rebater as críticas de que a produção de etanol e de biodiesel pode resultar no aumento das derrubadas florestais no país. Ele explica que os investimentos em ciência e tecnologia aumentarão a produtividade, o que não comprometerá o
meio ambiente.
- O Brasil tem condições de ampliar a oferta sem a necessidade de desmatar um hectare -, assegurou.
Na abertura do evento, o ministro apresentou um levantamento da Embrapa que assegura a conservação dos recursos naturais no Brasil. Segundo o estudo, o país ainda tem conservados 69,5% das florestas nativas na comparação com os últimos 8 mil anos.
- Na Europa, esse percentual é de 0,3% e na Ásia, de 5,6% -, comparou.
De acordo com o ministro, a produção de álcool de cana representa um exemplo de como o Brasil está investindo em novas fontes de energia e se livrando da dependência do petróleo. Ele destacou que atualmente 40% da frota de veículos brasileiros é movida a etanol e que 80% dos carros saíram da fábrica este ano com o sistema flex, que funciona tanto com álcool quanto com gasolina. Para ele, a adesão ao álcool de cana-de-açúcar traz benefícios à economia e ao meio ambiente.
- Além de menos poluente, o álcool cria empregos no campo e é produzido de forma muito menos centralizada que o petróleo -, observou.