Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

Ministro argentino faz ameaças à Petrobras

Quarta, 21 de Março de 2007 às 16:57, por: CdB

O ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, disse nesta quarta-feira que os contratos da Petrobras na Argentina "serão seriamente afetados" se a empresa não realizar os "investimentos necessários" no país.

- O Estado vai avançar se não se adaptarem às suas obrigações contratuais -, disse o ministro.

- Não vamos permitir que o presidente de uma empresa estrangeira, que neste caso é do Estado brasileiro, venha opinar sobre as políticas soberanas da Argentina -, acrescentou De Vido.

As declarações do ministro, homem forte do governo do presidente Néstor Kirchner, foram feitas à Radio Diez, a mais ouvida do país.

De Vido reagiu depois de ler, nos principais jornais argentinos desta quarta-feira, declarações atribuídas ao presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que pedia um reajuste nos preços do gás e dos combustíveis líquidos na Argentina.

- Nós não iríamos de jeito nenhum ao Brasil sugerir ao presidente Lula que adote determinada política de preços -, disse De Vido.

O ministro afirmou ainda que conversou com o embaixador do Brasil na Argentina, Mauro Vieira, para registrar a insatisfação com o episódio e disse que o ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, ligaria para o colega Celso Amorim para pedir explicações sobre as palavras de Gabrielli.

Segundo o presidente da Petrobras, existe uma "preocupação" quanto ao nível das reservas de gás e petróleo na Argentina, que estão em "queda", e obrigam a empresa a intensificar o ritmo da exploração no país.

As observações de Gabrielli levaram o jornal La Nación a publicar uma reportagem com o título "Petrobras quer preços mais altos".

Atualmente, a Petrobras possui 10% do mercado de petróleo e gás da Argentina, ficando atrás de outras empresas como a Repsol, que domina 50% do setor.

A Petrobras conta, na Argentina, com 750 postos de combustíveis e 30% da empresa de energia elétrica Edesur. A Petrobras Energia é o maior investimento da empresa brasileira no exterior.
 

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