O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse nesta sexta-feira que a apresentação de uma política de longo prazo para recuperação do salário mínimo pode ser uma estratégia para convencer as centrais sindicais a aceitarem um reajuste menor do que o reivindicado, dos atuais R$ 350 para R$ 420. Apesar de insistir no reajuste do mínimo para R$ 367, o ministro afirmou que o mais importante é negociar um mecanismo de correção do mínimo pelos próximos oito a dez anos.
Segundo o ministro, cada R$ 1 de reajuste no mínimo causa um impacto de R$ 190 milhões na Previdência. Se o salário for para R$ 367, como ele defende, o impacto seria de R$ 3,2 bilhões. Se o mínimo for reajustado para R$ 420, como as centrais querem, o impacto seria de R$ 13,3 bilhões.
- Estamos conversando com as centrais sindicais e mostrando que o governo quer manter a política de valorização do salário mínimo, mas tem de ser equilibrado com as outras necessidades do país -, disse.
De acordo com Mantega, o governo terá de definir o reajuste do mínimo de forma que não prejudica outros projetos.
- Um aumento muito alto para o salário mínimo desequilibra as contas da Previdência, que é o maior gasto que o governo tem, e pode ocupar o espaço de outros projetos como o subsídio para a habitação ou recursos maiores para investimentos, que é o maior desafio que nós temos -, afirmou.
A correção a longo prazo já foi solicitada pelas centrais que admitem que o mecanismo pode ser uma forma de acatar um mínimo menor. As centrais alegam, no entanto, que não abrem mão de aumento real.
Ministro aposta na política de longo prazo para negociar mínimo
Sexta, 08 de Dezembro de 2006 às 16:48, por: CdB