O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou nesta quinta-feira que a crise financeira internacional “preocupa”, mas que não é justo “penalizar” países emergentes como o Brasil. Ele voltou a negar que os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) sejam afetados pela instabilidade das bolsas e apelou à responsabilidade social dos empresários para que mantenham os empregos.
– O presidente Lula já disse que não haverá nenhum retrocesso na área social. Queremos continuar avançando. A crise foi gerada no coração do sistema capitalista, por meio de ações especulativas absurdas. Temos que impedir que nossos pequenos e médios empreendedores sejam prejudicados – disse, em entrevista a jornalistas.
Para Patrus, o país vive “uma situação boa”, mas as empresas devem pensar em responsabilidade social, mantendo empregos e evitando demissões em massa. “Será bom para elas também, porque garante o mercado interno”, avaliou. De acordo com o ministro, caso a crise seja ampliada, vai “penalizar a todos”."É preciso humanizar o capitalismo”, afirmou Patrus.
– Continuamos executando o orçamento e a previsão para o próximo ano é de um orçamento de R$ 33 bilhões, o que mostra que estamos ampliando. Claro que a crise pode trazer conseqüências, mas a orientação clara do presidente é que mantenhamos as ações sociais e o PAC. Pessimismo gera pessimismo. Temos que enfrentar essa crise com firmeza e coragem – afirmou.
Crescimento
A indústria eletroeletrônica deve fechar o ano de 2008 com crescimento de 11% no faturamento, em comparação a 2007. No total, o setor deve faturar R$123, 7 bilhões, de acordo com projeção divulgada pela manhã, na sede da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
As exportações de produtos elétricos e eletrônicos devem crescer 11% neste ano, passando de US$ 9,3 bi em 2007 para US$ 10,3 bi em 2008. As importações devem atingir US$ 33,7 bi, 40% a mais do que no ano anterior. O setor também gerou mais postos de trabalho. O número de empregados passou de 156,1 mil em dezembro de 2007 para 165,5 mil durante este ano, com a geração de 9,4 mil contratações diretas.
Mais empregos
O emprego na indústria foi o único item que teve alta em outubro (0,1%) na comparação com setembro. O faturamento da indústria caiu 0,2% em outubro, na comparação com setembro, mas cresceu 6,9% se comparado a outubro de 2007. No acumulado do ano, houve crescimento de 8% comparado a igual período do ano passado.
As horas trabalhadas também diminuíram 0,3% em comparação a setembro, mas aumentaram 4,9% quando comparadas com as de outubro de 2007. A massa salarial caiu 0,6% em outubro, em relação ao mês anterior. Quando a comparação é com outubro do ano passado, houve alta de 3,8%.
Os dados constam da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira. Os detalhes da pesquisa serão comentado em entrevista coletiva em instantes.
Sem crise
Até agora, o setor hoteleiro brasileiro em geral não sofreu os reflexos da crise externa.
– Não tivemos nem cancelamentos. O turismo em geral no Brasil está bem até depois do carnaval, que é a nossa alta estação – disse, no Rio de Janeiro, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Álvaro Bezerra de Mello.
Segundo ele, a redução dos turistas internacionais este ano, provocada pela valorização do real, fez com que a rede hoteleira buscasse oportunidades na crise. Como o dólar elevado impede viagens de brasileiros ao exterior, o setor está promovendo o turismo interno. E tem obtido resultado satisfatório.
– Estamos tendo esse fluxo nacional que está nos ajudando muito agora – afirmou.
Neste final do ano, a taxa de ocupação tem se mostrado “excepcional”, disse Bezerra de Mello. Nos hotéis do Rio de Janeiro, a ocupação está acima de 90%.
– Há muito tempo que não tínhamos uma ocupação tão boa – comemora.
O setor está trabalhando no momento com uma parcela de 85% de turistas nacionais e 15% estrangeiros. Ele enfatizou que levará algum tempo até o turista internacional saber que o Brasil ficou mais barato, devido à desvalorização da moeda. O esforço para comunicar esse fato deve ser conjunto, envolvendo governo, empresários, operadoras de turismo e a Embratur.
O presidente da ABIH acredita que o movimento continuará bem até o desfile das campeãs do carnaval, no final de fevereiro de 2009. Os maiores destaques são as cidades litorâneas Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Ilha Bela, Angra dos Reis. Salientou que a meta agora é começar a trabalhar para preparar o período pós-carnaval e também a Copa do Mundo de 2014, que acontecerá no Brasil.
Álvaro Bezerra acredita que depois da Copa do Mundo, “o Brasil vai decolar. Aconteceu isso em Barcelona, em Sidney”. Em 2009, entretanto, a avaliação da ABIH é que os turistas domésticos vão continuar prevalecendo nos hotéis brasileiros.