Após dez anos como presidente do Partido Liberal alemão (FDP), o ministro Guido Westerwelle, é alvo de pesadas críticas. O afastamento do segundo homem do governo alemão da liderança dos liberais (integrantes da coalizão de governo com os democrata-cristãos) é tida como certa, não só por veículos da imprensa alemã, como também pelos próprios correligionários.
Westerwelle pode anunciar nesta segunda-feira (04/04) sua desistência de concorrer novamente ao cargo, na convenção nacional do FDP agendada para maio, em Rostock. Segundo a mídia alemã, entretanto, ele pretende continuar como ministro das Relações Exteriores e vice-chanceler federal.
Os liberais da Alemanha esperam que a decisão sobre a mudança na liderança do partido seja oficializada durante a reunião do diretório nacional do FDP. "O partido não aceitará que nada seja mudado nesta segunda-feira", descartou o deputado liberal Daniel Bahr, em entrevista ao jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.
Os dias do ministro como presidente do FDP parecem estar contados. "Westerwelle irá colocar seu cargo à disposição na próxima reunião do diretório, nesta segunda-feira", garantiu à revista Focus um membro da direção do partido, que não quis ser identificado.
Futuro em aberto
O próprio Westerwelle deixa seu futuro político em aberto. "Eu certamente não comentarei política partidária alemã em uma viagem ao Japão", desconversou neste fim de semana o ministro do Exterior durante uma turnê na Ásia.
Enquanto isso, as críticas de membros do PDF a seu líder prosseguem. "Sou da opinião que Guido Westerwelle não deve se candidatar novamente a presidente do partido", afirmou o líder estadual do FDP em Berlim, Christoph Meyer, em entrevista ao jornal Der Tagesspiegel.
Outras representações estaduais do FDP tampouco escondem a insatisfação com o presidente do partido. Segundo a revista Focus, integrantes do diretório estadual de Hesse preparam uma proposta contra Westerwelle, a ser apresentada na convenção nacional do partido em maio.
Apoio entre correligionários enfraquece
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Ministro da Saúde Rösler é cotado para assumir cargo
O chefe do grupo parlamentar do FDP de Stuttgart, Hans-Ulrich Rülke, afirmou ao diário Der Tagesspiegel que "Guido Westerwelle tomará as providências certas na segunda-feira, na reunião do diretório nacional". A ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, e a líder da bancada do FDP no parlamento, Birgit Homburger, também já demonstraram não estar dispostas a apoiar Westerwelle.
O Die Welt afirmou que o ministro alemão da Saúde, Philipp Rösler, pretende concorrer à presidência do FDP. De acordo com o jornal, ele tem apoio dos diretórios regionais nos estados da Baixa Saxônia e da Renânia do Norte-Vestfália, além de contar com o apoio do secretário-geral do FDP, Christian Lindner.
A popularidade de Westerwelle dentro do partido está em queda há meses, e a insatisfação aumentou após a derrota dos liberais nas eleições dos estados de Saxônia-Anhalt, Renânia-Palatinado e, sobretudo, Baden-Württemberg.
Autora: Pia Gram (md)
Revisão: Augusto Valente