Uma ofensiva do exército sírio no reduto da oposição de Hamas, no noroeste do país, matou dezenas de pessoas neste domingo (31/07). Ativistas dos direitos humanos e moradores locais falam em quase cem mortos e muitos feridos.
Corpos ainda estariam espalhados pela cidade, divulgaram as agências de notícias. Porém não é possível ter certeza absoluta das informações, uma vez que o governo sírio expulsou a maioria dos jornalistas estrangeiros do país.
Tiros no escuro
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Vídeo amador registra a retirada de soldados que se recusam a atacar
Até agora, sabe-se que as forças armadas oficiais fizeram uso de canhões e metralhadoras e teriam se posicionado nos telhados das casas, para atirar.
"Choveram granadas na cidade. Os soldados atiraram em tudo que se mexia", descreveu uma testemunha. Outra contou pelo telefone à agência de notícias AP que o exército não escolhe alvo, apenas atira.
Um médico reportou à Reuters que Hamas foi atacada de quatro cantos diferentes. O número exato de vítimas ainda é desconhecido e pode aumentar, uma vez que o hospital foi afetado, na intenção de impedir que civis pudessem procurar ajuda.
Alguns soldados teriam se recusado
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Cena do vídeo amador
Antes dos ataques, ao amanhecer do dia, o governo do ditador Baschar al-Assad teria mandado interromper o fornecimento de água e energia elétrica, na quarta maior cidade do país.
Um militar, que se dizia coronel, teria se recusado a participar da missão. E não estava sozinho: centenas de soldados fizeram o mesmo. Um vídeo amador, supostamente filmado neste domingo em Hamas, registrou a retirada de alguns militares.
O contingente que resolveu ficar e obedecer ao ditador, teria se deslocado também para Deir al-Zour e Harak (sul da Síria), onde foram registradas presenças de tanques de guerra.
Westerwelle condenou o ataque
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Conselho de Segurança da ONU precisa reagir, acredita ministro
O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, condenou a recente onda de violência na Síria e sugeriu a imposição de novas sanções, caso o ditador não pare com os ataques aos manifestantes.
"O que estamos verificando na Síria, muito me indigna", esclareceu. Berlim espera contar com o apoio dos Estados Unidos e de parceiros da região, para exigir uma mudança de atitude de Assad. "Estamos convencidos de que o Conselho de Segurança da ONU precisa reagir a violência neste país", defende.
A Síria é palco de manifestações contra o regime de Assad desde o mês de março. O governo respondeu aos protestos com violência, conflitos que renderam cerca de 1.600 mortos. Segundo organizações de direitos humanos, as forças do governo prenderam outras 12 mil.
Autora: Ursula Kissel (br)