Rio de Janeiro, 15 de Maio de 2026

Ministra defende alianças com outros países após fase inicial do Protocolo de Quioto

Terça, 26 de Julho de 2005 às 14:13, por: CdB

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta terça que é preciso reforçar as alianças com outros países para o período após 2012, quando termina a primeira fase dos compromissos firmados no Protocolo de Quioto. Segundo Marina Silva, é necessário que o Brasil continue a protagonizar ações para diminuir as emissões de poluentes e procurar parcerias com países desenvolvidos e em desenvolvimento.

As declarações foram dadas durante o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, do qual participaram, além da ministra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador paulista, Geraldo Alckmin.

O Protocolo de Quioto prevê diversos mecanismos entre os países para diminuir as emissões de poluentes. Um dos principais é o comércio de créditos de carbono, pelo qual os países emissores de gases que provocam o efeito estufa podem amenizar suas dificuldades para alcançar as metas de redução desses gases investindo em projetos com esse objetivo em outros países, como o Brasil.

Segundo a ministra, é preciso transformar esses investimentos para projetos sociais. - Nosso desafio é balizar o compromisso que o país pode assumir na redução da emissão de gases do efeito estufa com os nossos esforços para a redução da pobreza. A combinação de todos esses interesses constitui, sim, um desafio interessante ao qual devemos atribuir a maior importância - afirmou Marina Silva.

Ela disse que, apesar de faltarem sete anos para o fim da primeira fase do Protocolo de Quioto, já devem ser iniciados os debates sobre o que fazer depois de 2012. - Este é um momento estratégico em que devemos aprofundar o debate sobre o que deverá ocorrer no período pós-2012, reiterando o protagonismo que tivemos até aqui e reforçando as nossas alianças com outros países. Tenho absoluta certeza de que estaremos sendo capazes de, nesse momento pós-2012, dar também a nossa contribuição em aliança com outros países, que se constitui em uma nova forma de caminhar - afirmou Marina.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a posição norte-americana em relação ao Protocolo de Quioto. Os Estados Unidos se recusaram a assinar o protocolo e continuam a emitir altas taxas de poluente. - O ideal seria se os Estados Unidos voltassem à mesa de negociação. Difícil na situação atual dos Estados Unidos, com tipo de governo que há hoje, com o tipo de visão que o governo americano tem, na sua falta de sentido de responsabilidade em matéria ambiental, é difícil, mas ia ser o ideal - disse o ex-presidente, que participou das reuniões de Quioto em 1997.

Para Fernando Henrique, o Brasil deve se unir a outros países em desenvolvimento, como a Índia, e procurar cooperação com a Europa. - Precisamos encontrar mecanismos que façam com que a Europa, ao invés de ficar pregada aos interesses dos EUA, se desloque na direção dos nossos interesses. Um país como o Brasil, um país como a Índia e, eventualmente, como a China, tem peso nessa matéria na medida em que eles possam realmente suscitar alguma ligação mais ativa com os países europeus - concluiu Fernando Henrique.

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