A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, pediu demissão ao presidente Néstor Kirchner nesta segunda-feira. Miceli é investigada pela Justiça por uma bolsa de dinheiro encontrada no banheiro do seu gabinete, no mês passado. O presidente Néstor Kirchner ainda
não confirmou de maneira oficial se aceita a renúncia da ministra.
— Não quero prejudicar o presidente por uma bobagem que cometi —, teria dito Miceli ao entregar sua demissão ao chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández.
Os problemas de Miceli começaram quando o jornal Perfil publicou a notícia de que bombeiros haviam encontrado, em um trabalho de rotina no gabinete da ministra, uma bolsa com cerca de US$ 240 mil (entre pesos, euros e dólares).
Em diferentes emissoras de rádio, Miceli afirmou que, na verdade, tinha deixado cerca de US$ 65 mil no banheiro e que o dinheiro seria usado na compra de um imóvel.
"Banheiro-gate"
A Justiça começou a investigar o caso, pediu explicações à ministra e realizou uma batida no armário do banheiro onde a bolsa foi encontrada e no Banco Central.
O dinheiro tinha uma fita de papel da autoridade monetária, o que, para a oposição, provava que a ministra poderia não estar dizendo a verdade ao argumentar que o dinheiro havia sido emprestado por um irmão, Horacio – agora, também na mira dos investigadores.
Parlamentares da oposição cobravam ainda nesta semana um depoimento de Miceli no Congresso Nacional, no caso que foi batizado pelos argentinos de "banheiro-gate" e "bolsa-gate".
Os mesmos parlamentares também pedem explicações à secretária de Meio Ambiente, Romina Picolotti, acusada em uma reportagem do jornal Clarin de contratar familiares e de outras irregularidades.
Nos dois casos, de Miceli e Picolotti, o governo acusava os adversários políticos e a imprensa de "conspiração", como afirmou Fernández, na semana passada.
A demissão da ministra foi confirmada oficialmente pela assessoria de Miceli no Ministério da Economia no final da tarde desta segunda-feira. A saída de Miceli ocorre a pouco mais de três meses das eleições presidenciais, marcadas para o dia 28 de outubro.
A expectativa é de que o presidente anuncie nas próximas horas o nome do substituto da ministra, mas, segundo analistas, a política econômica não deverá ser alterada.
Desde a saída do ex-ministro da Economia Roberto Lavagna, em 2005, analistas do mercado e assessores do governo afirmam que o "verdadeiro ministro" é o presidente.
Ministra da Economia da Argentina renuncia em meio a escândalo
Segunda, 16 de Julho de 2007 às 17:59, por: CdB