Na primeira reunião ministerial de seu segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que o governo não vai "soltar as rédeas" dos gastos públicos e sinalizou que não quer caça aos técnicos petistas nos ministérios entregues aos aliados. No encontro, Lula defendeu gestões controladas, pediu um planejamento econômico até 2022 e recomendou aos novos ministros que mantenham "técnicos" indicados por outros partidos nos cargos, pois não teria entregue as pastas com "porteira fechada". -Todos temos de entender que não existem políticas de ministro, existem apenas políticas de governo, boas ou más - afirmou.
Um dos participantes do encontro, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, relatou que o presidente pediu "espírito de governo de coalizão". - É saudável que diferentes partidos tenham técnicos em diferentes ministérios - relatou. - Não é porteira fechada - completou. Na semana passada, o presidente já havia mandado um recado ao novo ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), para não demitir pessoas ligadas ao PT e à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Lula também recomendou que os ministros sejam cuidadosos ao fazer declarações envolvendo outros países. Nas últimas semanas, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, causou polêmica ao criticar o modelo de comunicação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O cuidado nas declarações, segundo assessores, também poderia ser um recado à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, que causou constrangimentos ao governo na semana passada ao afirmar que insulto a brancos não era racismo.