Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Ministério Público voltar a questionar despesas da UnB

Após os gastos com a decoração do apartamento do reitor, mais uma despesa da Universidade de Brasília (UnB) chamou a atenção do Ministério Público do Distrito Federal. De acordo com o relatório da promotoria, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) gastou R$ 72,2 mil em um veículo de luxo para uso exclusivo do reitor da universidade, Timothy Mulholland. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Fevereiro de 2008 às 08:50, por: CdB

Após os gastos com a decoração do apartamento do reitor, mais uma despesa da Universidade de Brasília (UnB) chamou a atenção do Ministério Público do Distrito Federal. De acordo com o relatório da promotoria, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) gastou R$ 72,2 mil em um veículo de luxo para uso exclusivo do reitor da universidade, Timothy Mulholland.

O valor está em uma nota fiscal da fundação apresentada pelo Ministério Público. Não estão incluídos nos gastos os R$ 470 mil usados pela Finatec na decoração do apartamento funcional onde morava o reitor da universidade. Na terça-feira, Mulholland comunicou que havia decidido pela "imediata desocupação" do imóvel.

–Não adianta bater contra uma compra e sim contra o sistema que permite essa irregularidade, afirma o promotor de Justiça Ricardo de Souza.

O advogado da Finatec, Francisco Caputo Neto, afirma que a fundação apenas executa o que o Conselho Diretor da UnB determina.

– Há uma reunião do Conselho Diretor da UnB e eles decidem como esse dinheiro será utilizado. Pode ser para equipar um laboratório, construir um prédio, reformar eventuais instalações ou comprar um carro. A Finatec faz a cotação no mercado, adquire o produto, doa imediatamente para a UnB e faz uma prestação de contas informando a ela qual o saldo existente nessa conta do Fundo de Apoio Institucional, argumenta. 

O Ministério Público do Distrito Federal também questionou gastos com viagens. A fundação explicou que o valor das notas fiscais de hotel e restaurante foi reembolsado a um professor da UnB que faz pesquisa em túneis de mineração em Minas Gerais.

O hotel, em Três Marias, fica às margens da BR-040, local em que o professor teria parado para dormir. A despesa com refeição foi feita em um restaurante de Congonhas (MG), que seria o local da pesquisa. Já os gastos de R$ 393 e R$ 197, em restaurantes de Brasília, R$ 311 em uma pizzaria e de R$ 75 em um bar, teriam sido feitos, segundo o Ministério Público, por um diretor da Finatec, André Pacheco. Algumas das despesas foram adquiridas em fins de semana. 

Há também reembolso de uma compra de € 366 (aproximadamente R$ 940) feita em um free shop da Holanda. A fundação também pagou quase R$ 2 mil em passagens aéreas para a professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da UnB, Clotilde Tavares e o marido, Carlos Bezerra Tomáz, no trecho Brasília-João Pessoa-Recife-Rio de Janeiro-Brasília, em maio de 2007. Em setembro, Tomáz tornou-se diretor da Finatec.

O advogado da Finatec, Francisco Caputo Neto, disse que o casal participou de simpósios patrocinados pela fundação na área de pesquisa. Segundo o advogado, os eventos estão devidamente comprovados.

Sobre o professor André Pacheco, a Finatec disse que ele não era diretor na época e que comandava um projeto de pesquisa, viajava muito e por isso reunia a equipe nos fins de semana. Quanto à nota no free shop holandês, a fundação justifica que importa equipamentos e produtos para pesquisas, mas não soube especificar o que foi comprado.

A Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) decidiu em reunião, na noite desta quinta-feira, encaminhar para votação em assembléia o pedido de afastamento do reitor da universidade, Timothy Mulholland, e do decano de Administração, Érico Weidle. A assembléia dos professores da UnB deve ser marcada para a semana que vem.

No entanto, a decisão é considerada política, já que os professores não têm poder para destituir o reitor e o decano. Timothy Mulholland foi eleito pela comunidade acadêmica e nomeado pelo presidente da República, depois de ter sido indicado para exercer a função junto com dois outros nomes.

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