O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou um inquérito civil para acompanhar o projeto da Prefeitura que prevê a concessão de bolsas-auxílio de R$ 550 a R$ 928 para as famílias que acolherem os 300 idosos do Abrigo Cristo Redentor, em Higienópolis, no subúrbio do Rio.
Segundo a promotora Danielle Cavalcante de Barros, da 3ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Idoso e à Pessoa Portadora de Deficiência, o MP vai analisar cada caso de acolhimento de idoso individualmente. Com isso, os residentes do abrigo só poderão ir morar em casas de família mediante decisão judicial.
A promotora vai tomar depoimentos dos idosos e das famílias interessadas em recebê-los, levantar documentos e provas de que a transferência será benéfica. Danielle afirmou que o MP pretende continuar acompanhando os casos, mesmo depois que os idosos já estiverem morando nas novas residências.
Segundo a promotora, a idéia de fazer o MP intermediar o processo de acolhimento foi do próprio secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, que, no final de janeiro, prestou depoimento sobre o caso no MP.
De acordo com a prefeitura, o asilo será fechado e, em seu lugar, será criada a Cidade da Assistência Social, um complexo de serviços voltados para a inclusão social, principalmente para crianças e adolescentes.
Integrantes da Paróquia Santa Bernadete, que divide muros com o abrigo, estão organizando uma marcha contra o projeto no dia 17, partindo da Avenida dos Democráticos, número 896, em Higienópolis.
Para o vereador Márcio Pacheco (PSC), que está envolvido no movimento liderado pela paróquia, o abrigo enfrenta problemas de gestão.
– No ano passado o governo destinou R$ 3,5 milhões ao abrigo, mas o estado de conservação do lugar é ruim. Já houve, inclusive, denúncias de desvio de recursos, disse, explicando que o abrigo é mantido com verbas federais, mas é administrado pelo município.
Apesar disso, o vereador defende a manutenção do abrigo.
–Não são animais de estimação que podem ser levados de um lado para outro sem consentimento. Lá, apesar dos problemas, eles têm assistência de médicos, nutricionistas, enfermeiros e contam com serviços 24h de ambulância, afirmou.
O vereador afirma que não é totalmente contra o projeto, e que ele só dará certo se oferecer uma bolsa-auxílio maior e se as transferências contarem com o consentimento dos idosos.
Ministério Público vai acompanhar adoção de idosos no Rio
Sexta, 15 de Fevereiro de 2008 às 09:54, por: CdB