O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu abertura de inquérito ao STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A solicitação do procurador diz respeito a todas as denúncias contra Renan. Com a autorização do Supremo, o senador, que tem foro privilegiado, será investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. A Procuradoria deve receber do Conselho de Ética do Senado os documentos apresentados pelo peemedebista.
Por iniciativa do PSOL, o presidente do Senado já está sendo investigado pelo Conselho de Ética da Casa por supostamente ter utilizado recursos da empresa Mendes Júnior, via lobista, para pagar despesas pessoais como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.
Em nova representação, o partido pediu ao Conselho de Ética para investigar Renan por supostamente beneficiar a empresa Schincariol em negociações com o INSS --além das acusações de que ele teria grilado terras em Alagoas numa parceria com o irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). A Schincariol comprou uma fábrica do irmão de Renan, em Murici (AL), por um preço acima da média do mercado. O senador é acusado de, meses depois, ter atuado junto ao INSS para beneficiar a empresa para reverter dívidas fiscais.
O DEM deve ingressar nesta semana com nova representação contra Renan, no Conselho de Ética da Casa, para investigar as novas denúncias de que ele teria utilizado laranjas para a compra do grupo de comunicação. O líder da legenda no Senado, José Agripino Maia (RN), vai reunir a bancada do partido amanhã para definir se ingressará com nova representação contra Renan ou se solicitará aditamento ao processo que já tramita no conselho.
Segundo reportagem publicada pela revista Veja, Renan seria sócio oculto de uma empresa de comunicação em Alagoas. O senador teria usado laranjas e pago R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo, parte em dólares, para virar sócio de duas emissoras de rádio no Estado, que valem cerca de R$ 2,5 milhões. Ainda de acordo com a reportagem, o peemedebista, até dois anos atrás, também foi sócio de um jornal diário cujo valor é de R$ 3 milhões.