Um cartel montado por militares e ex-militares do Exército ganhar quantias milionárias de obras pagas com dinheiro público colocou na berlinda um dos mais importantes e tradicionais centros acadêmicos do país, o Instituto Militar de Engenharia (IME), que o Ministério Público Militar está investigando pelo menos 12 empresas cujos sócios são parentes ou possíveis laranjas - pessoas ligadas a oficiais que já estiveram lotados no instituto - que prestaram serviços diversos de consultoria como melhorias na BR-101, uma das maiores rodovias do país, com um ganho em torno de R$ 15,3 milhões.
Os primeiros levantamentos feitos pelo MP militar revelaram que as empresas não funcionam nos endereços fornecidos à Receita Federal, sendo que foi detectada a existência de sócios que declararam morar até em favelas no Rio.
De acordo com a investigação, os valores sempre foram liberados de forma ágil e há indícios de que algumas empresas foram constituídas só com a finalidade de vencer concorrências de cartas marcadas, sendo que a verba saía sempre através do IME.
A maior parte dos valores levantados pelo MP foi pago por meio de ordens bancárias, entre 2004 e 2006, pouco antes de o esquema ser notado por outros militares, que o denunciaram a superiores. Como resultado, empresas foram desativadas, enquanto outras mudaram de nome e os militares que estariam ligados a elas deixaram o IME, transferidos ou após pedirem tranaferência, inclusive para outros estados.
A investigação está sendo conduzida pela procuradora Maria de Lourdes Souza Gouveia Sanson. O procedimento foi instaurado no 5º Ofício da Procuradoria de Justiça Militar no Rio, em 22 de janeiro deste ano. O Comando Militar do Leste apenas confirmou que está apurando os fatos denunciados. Entre os militares investigados, estão o major Washington Luiz de Paula (que era lotado no IME e tem cinco pessoas da família, entre elas cunhadas e sogro, nas empresas investigadas) e o capitão Márcio Vancler Augusto Geraldo (que na época era da comissão de licitação do instituto).