Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Ministério monta 'operação de guerra' em hospitais do Rio

O ministro da Saúde, Humberto Costa reuniu-se com o secretário Gilson Cantarino na Secretaria Estadual de Saúde. Um dos objetivos do encontro foi debater a decisão do governo federal de retirar da prefeitura do Rio a gestão do sistema de saúde municipal. Costa disse que o Ministério da Saúde montou uma 'operação de guerra' nos hospitais do Rio. (Leia Mais)

Sexta, 11 de Março de 2005 às 06:46, por: CdB

O ministro da Saúde, Humberto Costa reuniu-se com o secretário Gilson Cantarino na Secretaria Estadual de Saúde. Um dos objetivos do encontro foi debater a decisão do governo federal de retirar da prefeitura do Rio a gestão do sistema de saúde municipal. Costa disse que o Ministério da Saúde montou uma 'operação de guerra' nos hospitais do Rio.

Mais cedo, o ministro reuniu-se, na Secretaria Estadual de Saúde, com o secretário Gilson Cantarino. Também participaram da reunião o secretário de Atenção à Saúde do Ministério, Jorge Solla; o diretor do Instituto de Traumatortopedia (Into), Sérgio Côrtes; e o cooordenador do Conselho Municipal de Saúde, Adelson Alípio.

No decreto, o Ministério da Saúde requisitou seis hospitais: Miguel Couto, Souza Aguiar, Andaraí, Hospital da Lagoa, Hospital de Ipanema e Cardoso Fontes. Dois deles, Miguel Couto e Souza Aguiar, são municipais. O governo federal alegou que, com a intervenção nos seis hospitais, o município poderá ter mais folga para administrar as outras unidades. A prefeitura ainda não comentou a decisão.

O Ministério da Saúde vai nomear um coordenador  para controlar os hospitais. Além disso, a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) passará para a secretaria estadual de Saúde. O governo poderá ainda decretar intervenção em outras unidades municipais.

Os hospitais federais do Rio irão receber casos graves, como de cirurgias e internações em centros de terapia intensiva, de pacientes que deixaram ser atendidos pelas unidades federais municipalizadas. De acordo com o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Arthur Chioro, sete hospitais federais serão colocados à disposição para atender esses pacientes, enquanto o Ministério da Saúde trabalha na solução da crise que afeta os hospitais do município do Rio.

Arthur Chioro informou que, a partir desta sexta-feira, começarão a ser levantadas as possíveis necessidades de contratação de mais profissionais e compra de estoques médicos, para dar vazão ao atendimento tanto de casos graves como de emergência. Ele disse que a população do Rio não ficará desatendida, "mesmo que para isso tenhamos de mudar nosso perfil". É o caso, por exemplo, do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que só atende pacientes que não tenham passado por tratamentos contra o câncer em outras unidades.

- Temos que fazer tudo o que é possível para que numa situação de emergência como esta possamos ter uma resposta para a população do Rio. O Ministério da Saúde não vai fazer a desabilitação e ficar assistindo ao Estado tomar uma providência - disse.

As unidades citadas por Chioro foram o Instituto Nacional de Trauma-Ortopedia (INTO), Instituto Fernando Figueiras (da Fiocruz), Hospital de Bonsucesso, Hospital dos Servidores, Instituto Nacional do Câncer (INCA), Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras e Hospital Universitário Clementino Fraga Filho.

A crise entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura do Rio se agravou no ano passado, quando Cesar Maia ameaçou devolver à União as 28 unidades federais que passaram para o controle do município em 1999.

Nos últimos dois meses, o secretário municipal de Saúde, Ronaldo César Coelho, vinha afirmando que só fecharia um acordo se o governo federal repassasse mais recursos para os hospitais municipalizados.

Nesta quarta-feira, em mais uma rodada de negociações, o Ministério da Saúde ofereceu ao Rio mais R$ 46 milhões por ano para o pagamento dos salários dos servidores que trabalham em unidades municipalizadas. E mais R$ 93 milhões em equipamentos e reformas dos hospitais - R$ 38 milhões já foram repassados. Além do investimento de R$ 89 milhões em 2006 e 2007.

A União também se comprometeu a reassumir os hospitais de Ipanema e da Lagoa, o que significaria para a prefeitura uma economia de R$ 100 milhões. Mas o município fez uma nova exigência. Propôs devolver mais um hospital.

- Eles só querem

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