O Ministério do Desenvolvimento Social divulgou que ao menos 286.799 beneficiados pelo Bolsa Família (4,4% do total) possuem renda maior do que o permitido para receber a ajuda mensal do governo federal.
Esse número de bolsas irregulares corresponde a 32% dos beneficiados pelo Bolsa Família que têm emprego formal e sobre os quais foi possível ter acesso a informações de renda, além do salário auto-declarado, informação com a qual o governo trabalhava até agora.
O cruzamento dos dados do Cadastro Único do Ministério e da Relação de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, mostra que 68% dos beneficiários do Bolsa Família que têm emprego formal atendem aos critérios de renda de até R$ 100 per capita por família.
Porém, há casos irregulares de pessoas que mentem para conseguir o auxílio. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, usado como referência pelo estudo, há 47 homens que estariam grávidos e 17 pessoas com idades entre dois e seis anos que estariam amamentando. No estado, 487.281 famílias recebem o programa. O teste de consistência dos beneficiários também aponta problemas como falta de endereços e dos nomes das mães, 54 pessoas com mais de 110 anos de idade e crianças com menos de 1 ano que teriam completado a 4ª série. Os dados serão enviados às prefeituras na semana que vem para que elas atualizem a base cadastral.
Do total de 11 milhões de famílias que recebem benefícios dos diversos programas de transferência de renda, 1,2 milhão têm renda per capita média superior a R$ 100. O ministério observa, porém, que nem sempre a diferença no valor da renda apurada levaria à suspensão do benefício, já que pode não ter sido ultrapassado o valor de renda máxima estatabelecida para cada programa.
A estratégia do governo, neste ano, é expandir o programa para todas as famílias com renda per capita de até R$ 50, além de chegar a uma meta de 70% da população pobre em todo Brasil.