O Ministério da Saúde economizou só no primeiro semestre R$ 603 milhões ao adotar medidas tão importantes quanto simples. Passou a negociar compras de remédios de forma centralizada para Estados e municípios, ganhando escala nos lotes comprados, o que tem gerado economias de até 50%, conforme a compra. E esta é apenas uma das medidas em curso para modernizar a gestão da saúde.
Segundo informou o ministro Alexandre Padilha (Saúde) ao jornal Valor Econômico, a nova medida inclui uma lista composta de cerca de 80 itens – entre seringas e medicamentos de alto custo para câncer, AIDS, hipertensão e doenças inflamatórias crônicas. O novo sistema se baseia em um banco de dados com os preços com referência internacional para produtos importados e equipes especializadas para a negociação direta com fabricantes. “Em vez de os Estados fazerem uma licitação, o ministério fecha a compra, o que nos permite um enorme ganho de escala”, afirmou Padilha.
O ministério tem, ainda, um sistema informatizado que facilita a distribuição dos medicamentos pelo país para pessoas previamente cadastradas a recebê-los. “Sabemos exatamente quem são as pessoas que precisam (desses remédios) e até onde elas moram”, afirmou. Para o ministro, a centralização das compras tem reduzido fraudes. Segundo Padilha, com o dinheiro economizado o ministério ampliará a assistência farmacêutica do Sistema Único de Saúde (SUS). A promessa já teve início com a incorporação de um novo medicamento para hepatite C. Segundo Padilha, o ministério estuda a compra direta de mais uma dezena de produtos.
Prontuário eletrônico e conexão à internet
Outra novidade da área é que o Datasus, unidade responsável pelas áreas de TI e telecom do Ministério da Saúde, vai iniciar, em setembro, o processo para a adoção do prontuário eletrônico no sistema nacional de saúde, informa o portal Telesíntese.
Há um esforço inicial para limpar o cadastro de 192 milhões de registros do SUS – há muitos casos de duplicidade de cadastro do mesmo indivíduo – e para a adoção de um cartão único para os usuários do SUS. Com ele em mãos, os pacientes poderão ser atendidos em qualquer unidade de saúde do país.
Outra medida é o reforço da infraestrutura do Datasus e a o desenvolvimento de uma solução para que outros sistemas possam “conversar” o sistema do Datasus. Augusto Gadelha, diretor do Datasus, informa, ainda, duas outras frentes de modernização em curso: a criação de um sistema de internet no ministério, onde cada cidadão terá seus dados (alguns abertos e o histórico médico fechado); e a parceria com a Telebrás e o Ministério das Comunicações para garantir a conexão dos postos de saúde à internet.
Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026
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