Devido à gravidade da situação da saúde pública no Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde, duramente criticado por César Maia (PFL), prefeito da cidade, decidiu por fim às acusações. Maia será interpelado judicialmente para que confirme as acusações feitas, nesta terça-feira, ao ministro Humberto Costa e sua equipe, a quem chamou de "mentirosos" e "irresponsáveis", em entrevista.
Em outra iniciativa, com o intuito de isolar Maia e tentar mostrar que o caso está sendo politizado pelo prefeito, que é pré-candidato a presidente da República em 2006, técnicos do ministério vão se reunir nesta quinta-feira com representantes do Ministério Público, da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa e de entidades como os Conselhos Estadual, Municipal e Distritais de Saúde, Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos.
A idéia, segundo nota divulgada pelo ministério, é dar mais transparência à negociação, apresentando os termos da proposta do governo federal. Na nota, o ministério diz estranhar as declarações de Maia quando a negociação estava em andamento. Na semana passada, também no dia de um encontro das duas equipes, o prefeito publicou decreto no Diário Oficial suspendendo convênios de cessão de pessoal da prefeitura para as unidades municipalizadas.
"O interesse público deve estar acima de qualquer interesse ou divergência política. As soluções para os problemas da rede pública de saúde do Rio são urgentes e devem ser definidas o mais breve possível", relata o texto. E complementa: "O Ministério da Saúde tem interesse em abreviar o máximo possível as negociações. Aguarda agora que a prefeitura do Rio apresente contraproposta formal, indicando as contrapartidas do município aos novos investimentos que o governo federal pretende fazer."
No centro da polêmica entre a prefeitura e o Ministério da Saúde, estão hospitais municipalizados no fim da década de 1990. A prefeitura reivindica mais repasses federais e conseguiu arrancar do ministro Costa o compromisso de elevar em R$ 46 milhõeso teto anual do Sistema Único de Saúde (SUS) para despesas de pessoal em seis hospitais municipalizados em 1999.