Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Ministério da Saúde afirma que situação do Souza Aguiar é descaso da Prefeitura

O secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde, José Gomes Temporão, informou nesta quarta-feira, que não há justificativa administrativa ou financeira para a nova crise no Hospital municipal Souza Aguiar. (Leia Mais)

Quarta, 26 de Outubro de 2005 às 10:56, por: CdB

O secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde, José Gomes Temporão, informou nesta quarta-feira, que não há justificativa administrativa ou financeira para a nova crise no Hospital municipal Souza Aguiar.

Ele responsabilizou exclusivamente a prefeitura pela falta de remédios e de profissionais, que tem impedido o atendimento na maior emergência do país.

Segundo Temporão, o governo federal repassou R$ 43 milhões à prefeitura há três semanas e tem mantido em dia todas as suas obrigações financeiras com o Poder municipal.

O secretário classificou a situação como 'expressão de uma incapacidade de gestão extremamente grave' e disse que ocorre descaso por parte da prefeitura. 

- Ficam evidentes não só a falta de insumos ou os problemas burocráticos. Estou percebendo descaso e despreparo técnico e humano para receber as pessoas. Nenhum argumento justifica isso. Não se pode permitir que a maior emergência da América Latina fique na situação de desabastecimento em que está - explicou.

Temporão lembrou que, na época da intervenção federal na saúde do Rio, a prefeitura recorreu ao Supremo Tribunal Federal para reaver os hospitais Souza Aguiar e Miguel Couto.

Na opinião dele, naquele episódio a prefeitura assumiu uma 'responsabilidade inalienável e intransferível' sobre as duas unidades.

- Continuamos acreditando na possibilidade de construção de uma parceria entre estado e município - acrescentou o secretário, ressaltando que o governo federal está à disposição para ajudar, embora a solução caiba à prefeitura.

A falta de pelo menos 300 tipos de medicamentos levou os médicos do Hospital Souza Aguiar a suspender parte do atendimento desde terça-feira.

Apenas os pacientes em estado grave são recebidos na unidade, que cancelou todas as cirurgias eletivas até que o abastecimento de remédios seja normalizado pela prefeitura.

Além de decidir atender apenas pacientes em situação grave, os médicos pediram aos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que evitem levar doentes para o Souza Aguiar.

Representantes da comissão de saúde da Assembléia Legislativa (Alerj) fizeram na terça-feira mais uma vistoria no hospital. Segundo um dos membros da comissão, uma liminar expedida no dia 7 de outubro obriga o prefeito Cesar Maia a convocar para o trabalho 2.059 profissionais de saúde aprovados em concurso público.

Nesta quarta-feira está marcada uma visita de representantes do Conselho Regional de Medicina (Cremerj) ao Souza Aguiar.

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