O presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicou, em seu programa de rádio Café com o presidente, que preferiu não comparecer ao ato programado pela CUT, sábado passado, em homenagem ao Dia do Trabalhador. Ele afirmou que preferiu limitar sua presença à missa na matriz de São Bernardo do Campo, rotina do seu 1º de maio desde 1980.
- Não fui aos outros atos porque nós temos quatro centrais no Brasil. É preciso tomar cuidado em participar de um ato e não participar de outro. Pode criar problemas na relação que o Estado tem que ter com o movimento sindical - disse.
Para o presidente, as manifestações dos trabalhadores no 1º de maio ajudam a consolidar a democracia:
- Eu acho que o 1º de maio é um 1º de maio igual a todos os outros, ou seja, é o momento em que os trabalhadores fazem as suas grandes reivindicações, é o momento no Brasil e no mundo inteiro em que os trabalhadores protestam por aquilo que não conseguiram durante o ano inteiro, e eu acho que assim é que a gente vai consolidando o processo democrático do Brasil.
Lula também explicou as razões que levaram o governo a dar apenas um aumento de R$ 20,00 no salário mínimo, salientando que elevá-lo para R$ 300,00, sem recursos, "seria total irresponsabilidade".
Ele acrescentou que a Previdência tem um passivo de R$ 200 bilhões. São casos de pessoas que não concordam com alguma contribuição que têm a pagar e apelam à Justiça. Desta forma, a Previdência fica com um déficit aproximado de R$ 200 bilhões.
- E isso faz com que o caixa da Previdência não tenha o dinheiro que nós gostaríamos que tivesse para dar um aumento de salário mínimo maior - explicou.
Segundo o presidente, elevar o salário mínimo em mais R$ 10,00 significaria gastar, em 12 meses, mais R$ 3 bilhões e aumentar ainda mais o rombo da Previdência Social.
- Ora, nós tivemos o cuidado de dar o reajuste da inflação e pouca coisa a mais. Temos a preocupação de que, em algum momento, nós vamos criar as condições para recuperar definitivamente o poder aquisitivo do salário mínimo. E nós vamos fazer isso com a maior responsabilidade do mundo, porque nós não podemos aumentar a dívida que a Previdência já tem com os seus aposentados e o rombo que ela tem no seu caixa - disse o presidente.
O presidente gravou o seu "Café com o Presidente" em seu apartamento de São Bernardo no domingo último, e dedicou-o integralmente à questão do salário mínimo. "É importante lembrar que, este ano, nós herdamos um esqueleto do governo passado, de R$ 12,4 bilhões, que não estavam no orçamento e que nós vamos ter de pagar porque a Justiça determinou. Portanto, nós vamos ter de arrumar R$ 12,4 bilhões para pagar aos aposentados que entraram com processo reivindicando o prejuízo que tiveram com a URV em 1993. E vamos fazer um acordo com os aposentados para pagar parceladamente, porque não é fácil arrumar R$ 12,4 bilhões".
- Para os trabalhadores da iniciativa privada, poderiamos decretar um mínimo de R$ 400,00, R$ 450,00, porque muitas e muitas empresas já pagam isso ou mais do que isso. Qual é o nosso problema ao decretarmos o salário mínimo? É o rombo da Previdência Social, ou seja, nós temos este ano um déficit de R$ 31 bilhões e nós vamos consertar isso ao longo do tempo - disse.