Por W. Bastos 01/07/2011 às 16:53
Travei contato com o informativo libertário fluminense Libera na primeira metade da década de 1990. Tal publicação existe até hoje. E vale a pena conhecê-la.
Na já longínqua primeira metade da década de 90 na cidade de Niterói (RJ), recebi pela primeira vez o informativo Libera. Quem o apresentou para mim foi um amigo guitarrista peruano estudante de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que viria a integrar o grupo anarquista Semente Libertária, autor da excelente apostila Anarquismo em Resumo.
Na época, o jornal Libera era só uma folha de papel ofício frente e verso editada mensalmente pelo Círculo de Estudos Libertários (CEL) no Rio de Janeiro: um grupo de debates semanais nascido a partir de um curso sobre Anarquismo promovido pela Univerta (Universidade Aberta) em 1985. Foi com entusiasmo que tomei conhecimento da publicação. Pois eu só conhecia, até aquele momento, grupos anarquistas de São Paulo, cujos informativos haviam sido enviados para mim por uma correspondente roqueira paulista.
A publicação se chamava, na verdade, Libera... Amore Mio, título que me transmitia leveza, um ar amoroso e nada carrancudo ou sisudo ? ao contrário de outros jornais de esquerda com os quais já havia travado contato. Só mais tarde fiquei sabendo que o nome era uma homenagem ao filme Libera... Amore Mio (pronuncia-se líbera) do cineasta italiano Mauro Bolognini. O fato é que o jornal ficou conhecido desde o início simplesmente como Libera (paroxítona mesmo), até por seus editores.
Eu repassava exemplares do Libera para amigos que o liam e comentavam avidamente. Na época, as pessoas para quem eu o entregava eram principalmente ligadas a Rock e contracultura, mas não somente. No afã de divulgar, eu e meus amigos dávamos o informativo para nossos familiares e professores, que muitas vezes se surpreendiam com a profundidade e inteligência do jornalzinho distribuído por aqueles jovens amalucados.
A partir do número 25 (junho de 1993), o jornal aumentou a tiragem e dobrou de tamanho. Ficamos contentes, mas um pouco apreensivos: será que a publicação conseguiria ir em frente no novo formato, ou os editores não conseguiriam segurar a barra de mantê-la? Porém, para nossa satisfação, o veículo continuou firme e forte, ajudando inclusive a divulgar protestos e os debates que ocorriam no Círculo de Estudos Libertários todas as terças-feiras no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, na capital fluminense.
Foi através do Libera nº 52 (setembro, 1995) que soubemos da morte do valoroso anarquista Ideal Peres, um dos fundadores do CEL (que, com seu falecimento, passou a se chamar Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres ? CELIP).
Em julho de 2003, em seu número 119, o Libera tornou-se oficialmente o informativo da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), organização nascida do amadurecimento e esforço dos militantes aglutinados a volta do CEL/CELIP ao longo de anos, e já bastante ativos dentro de movimentos sociais. O Círculo de Estudos Libertários Ideal Peres continua existindo até hoje como instância pública da FARJ e espaço de debates aberto a todos os interessados e curiosos acerca de Anarquismo.
O Libera foi importante veículo para divulgação da então recém criada FARJ, ainda mais a partir do número 136 (julho/2006), quando aumentou novamente seu tamanho, chegando ao formato tablóide.Neste 2011 a tiragem do Libera chega a 3000 exemplares. Isso é pouco se comparado aos jornalecos da mídia burguesa vendidos em bancas de jornal pelo país. Mas o fato é que o destino dos jornais burgueses é embrulhar peixe ou forrar o chão de casa quando se vai pintar as paredes, ninguém liga para eles no dia seguinte. Já o Libera é lido com atenção e colecionado por muitos (como eu). Seus textos são reproduzidos em diversas páginas da internet e em várias publicações anarquistas ou não pelo mundo a fora, além de servir de pesquisa e base para criação de outros escritos e para o aprofundamento de discussões pertinentes à nossa sociedade. Sociedade essa que, mais do que nunca, se encontra carente de informações e reflexões inteligentes, coisas que a mídia burguesa faz questão de não apresentar, mas que ? felizmente ? nosso querido informativo Libera tem de sobra.
Quem quiser conhecer a publicação basta entra em contato com os editores pela caixa postal 14576, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, CEP 22410-971, pelo correio eletrônico farj@riseup.net, ou acessando a página http://www.farj.org/.
(texto publicado no blog Expressão Liberta e também no fanzine O BERRO nº 20, junho/2011: Caixa Postal 100050, Niterói, RJ, Brasil, CEP 24020-971)
Email:: o.berro@hotmail.com
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