Rio de Janeiro, 20 de Fevereiro de 2026

Minha adesão ao Sem Mídia

Por Rui Martins - Leio aqui pela Internet que um cidadão paulista, Eduardo Guimarães, criou o Movimento dos Sem Mídia, e já promoveu manifestação diante da Folha, prometendo outra diante da Globo. (Leia Mais)

Quinta, 27 de Setembro de 2007 às 10:58, por: CdB

Leio aqui pela Internet que um cidadão paulista, Eduardo Guimarães, criou o Movimento dos Sem Mídia, e já promoveu manifestação diante da Folha, prometendo outra diante da Globo. Como defendo o MST,  nada mais normal de agregar aos sem-terra o MSM, assim definido por seu criador - "somos os sem-mídia contra o latifúndio midiático dos poderosos e grandes empresários do país".

É verdade, as bancas brasileiras de jornais são colonizadas pelos donos da informação, ainda pertencentes a famílias no Brasil, todos eles defensores de uma democracia que mantenha a estrutura social brasileira. Não se trata de uma imprensa amordaçada, como foi nos anos da ditadura militar. Nem de uma imprensa cega aos que se passa no mundo ou no próprio país. Mas de uma mídia comprometida, sem qualquer interesse em acabar com a desigualdade social.

Seus arroubos éticos ou moralistas se tornam ridículos, diante de sua calculada omissão para se continuar mantendo no Brasil o regime do apartheid social. Com sua influência, principalmente na televisão – a comunicação popular – poderia ajudar a melhorar o nível educacional e cultural da população pobre e excluída. Mas isso não lhe interessa e caso surjam tentativas de se abrir bolsões ou glebas de informação livre, se lançam à luta com arrojo, servindo-se de seus mestres da comunicação a soldo dos patrões.

O campo midiático lhe pertence, não existe no Brasil uma imprensa de esquerda com condições de criar um equilíbrio. Nenhum jornal, nenhuma rádio, nenhum canal de televisão pode oferecer uma outra visão dos fatos, por ausência de investimento e, se houvesse, seria fadado a falir por falta de publicidade. O monopólio midiático brasileiro só admite um sistema político-social, o já existente, e impede qualquer tentativa de mudança.

Na época da ditadura, os jornalistas da oposição usavam a mensagem das entrelinhas. Agora, com a liberdade de imprensa, só vale o pensamento único, a colonização da informação. Existe um real desequilíbrio. As tentativas mais radicais de Caros Amigos, agência Carta Capital e Brasil de Fato não abalam em nada o sistema, tão pequenas são suas penetrações.

Se o MSM imita o MST, precisamos, então, de uma reforma midiática com distribuição de áreas livres para o plantio da informação livre, não sujeita aos interesses de castas mantidas e alimentadas pela elite dominante e por anunciantes.

Mais difícil que tomar um latifúndio, será se tomar páginas nos grandes jornais ou tempo nos programas de televisão. Com a distribuição de jornais gratuitos ficará ainda mais difícil o debate pela imprensa escrita.

Pelo jeito, vai ser preciso se rediscutir os conceitos de liberdade de informação e liberdade de imprensa, atualmente comprometidos pelas dificuldades criadas ao livre acesso à informação.

Rui Martins é jornalista.

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