Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Militares colombianos falaram sobre "falsos positivos"

Segunda, 13 de Dezembro de 2010 às 11:25, por: CdB

Segundo documento, comandante do exército informou a embaixador estadunidense que "alguns" militares assumiram a prática de matar jovens para fazê-los passar por supostos guerrilheiros

 

13/12/2010

 

La Jornada

 

Autoridades do exército colombiano reconheceram em conversas privadas com diplomatas estadunidenses em Bogotá que a matança de 16 "falsos positivos" na localidade de Soacha, no centro da Colômbia, em setembro de 2008, causou um "incalculável dano" à imagem das forças armadas governamentais, mas admitiram que "o problema das execuções extrajudiciais se espalhou" a várias unidades em poucos meses.

Um memorando diplomático confidencial estadunidense de fevereiro de 2009, vazado no site WikiLeaks, mostra que o comandante do exército, general Óscar Gonzávez, foi acusado diante do embaixador William Brownfield de haver "impedido a investigação de abusos ao limitar o mandato" do inspetor-geral desse setor das forças armadas, o major-general Carlos Suárez.

O militar informou a Brownfield que "alguns" comandantes militares assumiram a prática de matar jovens para fazê-los passar por supostos guerrilheiros, a fim de que a "contagem de corpos" servisse como "medida de êxito", o que levou as tropas a perpetrarem matanças como a de Soacha.

O "sistema de contagem de corpos" - citou o embaixador a Suárez - criou uma "falsa ilusão de êxito" e, "como resultado, os falsos positivos desviaram os recursos e a atenção da luta principal contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia".

O descobrimento da primeira matança e a continuação da prática obrigou o Departamento de Defesa a destituir 51 pessoas do exército, dos quais 27 estiveram envolvidos no homicídio múltiplo de Soacha, que fica no departamento de Cundinamarca, onde também está a cidade de Bogotá. Pesquisas posteriores publicadas na imprensa local indicaram que os "falsos positivos" eram jovens de bairros pobres da capital colombiana.

Segundo Suáreaz, a ideia de criar "falsos positivos" teve sua origem na quarta brigada de Medellín, que tinha Mario Montoya como comandante.

Brownfield relatou no documento que alguns "altos oficiais continuam resistindo aos esforços do Ministério de Defesa, argumentando que as preocupações de direitos humanos estão supervalorizadas".

 

Tradução: Patrícia Benvenuti

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