Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

MILITARES ACUSADOS DE MASSACRE NA GUATEMALA SE DECLARAM INOCENTES

Terça, 26 de Julho de 2011 às 05:42, por: CdB

CIDADE DE GUATEMALA, 26 JUL (ANSA) - Quatro militares acusados do massacre de 250 camponeses na Guatemala, em 1982, durante o conflito interno do país (1930-1996), se declararam inocentes em um julgamento que deve durar ao menos quatro semanas.
   
A juíza responsável pelo caso, Yasmín Barrios, explicou que a Justiça ordenou a captura dos ex-militares pelos crimes de assassinato e contra a humanidade. Os quatro pertenciam ao grupo de elite do Exército, denominado Kaibiles, conhecido por suas ações sangrentas.
   
Os acusados, que estão presos, são o ex-tenente Carlos Antonio Carías, o sub-instrutor Reyes Collin e o ex-militares Manuel Pop e Daniel Martínez.
   
A morte dos 250 trabalhadores rurais aconteceu na comunidade de Dos Erres, em Petén, no dia 7 de dezembro de 1982.
   
"Não sei porque me vinculam a este episódio. Eu sou inocente, nunca estive nesse lugar no dia em que ocorreu este fato", afirmou Carías.
   
Pop declarou que "não me lembro de ter estado em Dos Erres", enquanto Collin se absteve de responder se havia ou não participado do massacre.
   
Martínez, por sua vez, foi o único que reconheceu que fez parte do pelotão oficial, formado por 55 policiais, que esteve na comunidade. Segundo ele, o tenente de infantaria Roberto Aníbal Rivera, que está foragido, foi quem deu a ordem de reunir os camponeses no centro do povoado. E, apesar de revelar que chegou a avisar duas casas, garante que logo depois foi enviado a cerca de um quilômetro de distância desta comunidade.
   
A Procuradoria de Direitos Humanos (PHD) explicou que os acusados entraram na comunidade, atacaram os homens de maneira brutal, violaram as mulheres e meninas e os jogaram em um buraco, onde os metralharam e lançaram granadas.
   
O massacre é um dos 669 documentados pela Comissão de Esclarecimento Histórico e fez parte da política destinada a acabar com a guerrilha e suas bases de apoio.
   
Sua investigação foi iniciada em 1994 mas o julgamento foi adiado por 17 anos e só retomado ontem, quase três décadas depois do episódio.
   
A juíza explicou que o julgamento se estenderá por pelo menos quatro semanas já que deverão ser conhecidas as dezenas de provas apresentadas pela Procuradoria e serão ouvidas cerca de 40 testemunhas convocadas.
   
Dos envolvidos no episódio, apenas oito envolvidos foram detidos, apesar de existir mandados de prisão contra 18 ex-kaibiles. (ANSA)

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