Rio de Janeiro, 05 de Fevereiro de 2026

Militar brasileiro é contaminado por HIV no Haiti

Terça, 17 de Julho de 2007 às 08:57, por: CdB

O Exército confirmou o primeiro caso de um militar brasileiro que retornou da missão de paz das Nações Unidas no Haiti contaminado por HIV, o vírus que causa a Aids. O assunto vem sendo tratado como altamente sigiloso e com muita reserva dentro das Forças Armadas.

Trata-se de um oficial, um capitão-médico, que se encontra atualmente realizando exames que irão avaliar sua permanência no Exército, podendo ir para a reserva ou ser reformado. O Haiti é o país mais pobre das Américas e o com maior número de aidéticos fora da África, segundo a ONU: cerca de 6% da população está infectada com HIV ou tem Aids.

O diagnóstico foi dado pela Divisão de Missão de Paz do Comando de Operações Terrestres (Coter), em Brasília, em um período de quatro dias em que o militar ficou isolado após o retorno da missão no Haiti, em 19 de junho. Nesta fase, denominada pelo Exército como "desmobilização", realizam-se exames de saúde, psicológicos e se prepara a reinserção dos militares na sociedade brasileira. Não foi divulgado em que circunstâncias a doença foi contraída.

Em Porto Príncipe, o oficial namorou por um tempo uma jovem, cujo exame, porém, deu negativo. O capitão-médico soropositivo fez exames cerca de duas semanas antes de ir para o Haiti, em dezembro de 2006, quando o resultado deu negativo. Alguns militares acreditam que ele possa ter contraído a doença durante o trabalho, ao fazer alguma cirurgia ou ao ter contato com haitianos sem utilizar luvas ou utensílios necessários.

Durante os seis meses em que o militar atua na missão de paz, normalmente há total abstinência sexual. O relacionamento íntimo com haitianas é expressamente proibido pelo alto comando da ONU. Brasil também não aconselha esse tipo de contato.

No período, há um intervalo de 15 dias para "férias" (leave) e outros dez dias de "arejamento" (quatro períodos de dois dias e meio) que normalmente são acumulados. A maioria dos solteiros prefere viajar para a vizinha República Dominicana ou para os Estados Unidos para gozar o descanso, devido ao alto custo de vir ao Brasil. Apenas alguns militares podem se dar ao luxo de visitar a família no País.

Risco de contágio

Em um país de 8,5 milhões de habitantes, cerca de 280 mil pessoas possuem HIV. ONGs internacionais estimam que entre 5% e 7% da população esteja infectada - em 1993, o número chegou a quase 10%. A Aids é a principal causa de mortes no Caribe entre pessoas de 15 e 44 anos, segundo a Unaids, agência das Nações Unidas de combate à doença.

Desde que a epidemia começou, nos anos 80, mais de 160 mil crianças ficaram órfãs e cerca de 300 mil haitianos morreram de Aids. Apenas em 2006, cerca de 27 mil pessoas contraíram HIV no Caribe. No entanto, de acordo com a Unaids, o número vem decrescendo no Haiti e tem se mantido estável na República Dominicana devido aos trabalhos de agências para educação sexual e distribuição de preservativos.

Riscos em missões de paz

Antes de integrar a missão de paz, o militar, que é voluntário, passa por uma seleção e uma preparação, sendo informado dos riscos físicos e mentais que corre. Segundo o Exército, no Haiti eles estão sujeitos aos principais problemas epidemiológicos e doenças endêmicas locais, como febre amarela, poliomielite, febre tifóide, meningite, sarampo, rubéola e hepatite, para as quais são previamente vacinados.

Um semestre antes da viagem é iniciada a preparação psicológica, através de entrevistas, testes e acompanhando do militar em exercícios que simulam o ambiente real de combate, buscando informações que dêem indícios de possíveis distúrbios sociais, afetivos ou familiares. O Exército aponta que, entre os fatores de "estresse" típicos da atuação no Haiti , estão o fato de se manter neutro frente a provocações de rivais ou da população local, testemunhar atos violentos e ver cadáveres, risco de morte e ferimento, a miséria da população local e outros eventos que p

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