O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai a "ter muito problema no plano político" se não encontrar, como parece, as armas de destruição em massa que justificaram seu ataque ao Iraque. A afirmação é do ex-inspetor de armas norte-americano Scott Ritter. - É impossível encontrar algo que não existe - afirma Ritter, ex-comandante do dos marines e chefe das missões de inspeção no Iraque entre 1991 e 1998, em declarações que publica nesta sexta-feira o diário suíço Le Temps. Ele qualifica de "especulações irresponsáveis e criminosas" as afirmações do chefe do secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, segundo as quais o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein destruiu as armas antes do início da guerra. - É impossível eliminar armas de destruição em massa sem deixar pegadas. O Iraque foi além disso o país mais vigiado da história moderna: mediante satélites, aviões, espiões, que varreram cada centímetro quadrado de território - explica. Segundo Ritter, tanto Bush como seu aliado, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, "só tentam ganhar tempo com a esperança que seus cidadãos e o mundo inteiro esqueçam os motivos oficiais pelos quais declararam a guerra. Por isso dizem que necessitam meses e inclusive anos". O ex-comandante dos marines diz que agora Bush e Blair devem explicar "franca e honestamente por que fizemos a guerra" e "reconhecer que mentiram". Segundo ele, ou bem "Bush mentiu deliberadamente, e então deveria ser objeto de um procedimento de 'impeachment' para ser destituído e ser acusado da morte de 171 norte-americanos que perderam a vida na guerra ilegal, para não falar dos milhares de iraquianos". O ex-inspetor não exonera de responsabilidade o próprio Congresso dos Estados Unidos, já que votou a "Lei de Libertação do Iraque, que anunciava a mudança de regime nesse país, em violação da legalidade internacional", e celebrou uma série de "sessões vergonhosas nas quais perpetuou as mentiras sobre as armas de destruição em massa".
Militar americano afirma que não existem armas no Iraque
Sexta, 06 de Junho de 2003 às 06:36, por: CdB