Rio de Janeiro, 05 de Agosto de 2026

Militar americano afirma que não existem armas no Iraque

Sexta, 06 de Junho de 2003 às 06:36, por: CdB

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai a "ter muito problema no plano político" se não encontrar, como parece, as armas de destruição em massa que justificaram seu ataque ao Iraque. A afirmação é do ex-inspetor de armas norte-americano Scott Ritter. - É impossível encontrar algo que não existe - afirma Ritter, ex-comandante do dos marines e chefe das missões de inspeção no Iraque entre 1991 e 1998, em declarações que publica nesta sexta-feira o diário suíço Le Temps. Ele qualifica de "especulações irresponsáveis e criminosas" as afirmações do chefe do secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, segundo as quais o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein destruiu as armas antes do início da guerra. - É impossível eliminar armas de destruição em massa sem deixar pegadas. O Iraque foi além disso o país mais vigiado da história moderna: mediante satélites, aviões, espiões, que varreram cada centímetro quadrado de território - explica. Segundo Ritter, tanto Bush como seu aliado, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, "só tentam ganhar tempo com a esperança que seus cidadãos e o mundo inteiro esqueçam os motivos oficiais pelos quais declararam a guerra. Por isso dizem que necessitam meses e inclusive anos". O ex-comandante dos marines diz que agora Bush e Blair devem explicar "franca e honestamente por que fizemos a guerra" e "reconhecer que mentiram". Segundo ele, ou bem "Bush mentiu deliberadamente, e então deveria ser objeto de um procedimento de 'impeachment' para ser destituído e ser acusado da morte de 171 norte-americanos que perderam a vida na guerra ilegal, para não falar dos milhares de iraquianos". O ex-inspetor não exonera de responsabilidade o próprio Congresso dos Estados Unidos, já que votou a "Lei de Libertação do Iraque, que anunciava a mudança de regime nesse país, em violação da legalidade internacional", e celebrou uma série de "sessões vergonhosas nas quais perpetuou as mentiras sobre as armas de destruição em massa".

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