Militantes palestinos da Faixa de Gaza atacam Tel Aviv
Militantes palestinos da Faixa de Gaza atacaram Tel Aviv na madrugada desta quarta-feira. Ao soar de sirenes de alerta no centro da cidade, a população corria para locais seguros. Ao menos cinco mísseis foram interceptados pelo sistema antimísseis israelense Iron Dome, de acordo com a rádio do Exército israelense.
Hamas reivindica ataques em segunda noite de intenso fogo-cruzado, aos quais Israel respondeu com 160 projéteis disparados contra Gaza
Militantes palestinos da Faixa de Gaza atacaram Tel Aviv na madrugada desta quarta-feira. Ao soar de sirenes de alerta no centro da cidade, a população corria para locais seguros. Ao menos cinco mísseis foram interceptados pelo sistema antimísseis israelense Iron Dome, de acordo com a rádio do Exército israelense.
Num comunicado, as Brigadas de Ezzedine Al-Qassam, um braço armado do Hamas, reivindicaram o lançamento de quatro foguetes contra Tel Aviv, o maior centro populacional do país, elevando para 225 o total de projéteis disparados contra o Estado judeu em duas noites de conflito. Destes, cerca de 40 foram interceptados.
Um dos foguetes atingiu Chadera, a 117 quilômetros da Faixa de Gaza – a maior distância que um míssil do Hamas já alcançou. Foguetes também foram lançados contra Jerusalém, Haifa e Tel Aviv, em ataques reivindicados pelo Hamas. A ofensiva palestina marca a primeira vez desde 2012 em que o grupo tem como alvo grandes centros populacionais em Israel.
A retaliação israelense veio na forma de 160 projéteis disparados contra Gaza, que, segundo a imprensa palestina, deixaram ao menos cinco mortos. O número de vítimas fatais do lado palestino nos últimos dois dias já passa dos 30, e o de feridos supera os 120. Ainda não há registros de mortes em Israel.
Nesta terça-feira, Israel havia anunciado o início da Operação Margem de Proteção, em resposta à intensificação dos ataques a partir de Gaza e que tem como objetivo destruir todas as capacidades do Hamas. Desde então, 435 alvos palestinos já foram atacados.
De acordo com o Ministro do Interior israelense, Gidon Saar, o Exército recebeu ordens de expandir “significativamente” a campanha. “Não limitamos a campanha em termos de tempo. Na verdade, ordenamos às forças de defesa que ampliem os ataques ao Hamas e façam de tudo para restaurar a tranquilidade”, disse em entrevista à rádio do Exército.
O ministro, que também é membro do gabinete de segurança, afirmou ainda que Israel está preparado para qualquer possibilidade, inclusive uma ofensiva terrestre, caso necessário, embora essa não seja a primeira alternativa.
- Existe uma preparação para isso e essa é a razão pela qual convocamos 40 mil reservistas. O Hamas está atirando e, antes de tudo, precisa parar. Mas não ficaremos satisfeitos com apenas isso, sem impor uma derrota significativa ao Hamas e a toda a infraestrutura terrorista em Gaza - disse Saar.
A escalada da violência começou com o assassinato de três jovens israelenses desaparecidos no dia 12 de junho, cuja responsabilidade foi atribuída ao Hamas. O grupo não negou nem confirmou as acusações, mas semanas depois, outro adolescente foi morto, desta vez, palestino, e o episódio foi visto como um ato de vingança pelo primeiro sequestro.
Ataques crescentes
Em apenas dois dias, forças israelenses atingem 560 alvos e matam entre 35 e 41 palestinos, enquanto militantes palestinos lançaram 160 foguetes contra alvos em Israel, que intensificou sua ofensiva contra a Faixa de Gaza controlada pelo Hamas. Nesta quarta-feira, o bombardeio do Estado sionista atingiu vários alvos e deixando ao menos 14 mortos enquanto os líderes israelenses indicavam a possibilidade de uma invasão terrestre de semanas de duração.
O Exército israelense afirmou ter atingido cerca de 200 alvos do Hamas no segundo dia de sua ofensiva, que diz ser necessária para pôr fim aos incessantes ataques de foguete de Gaza ao território israelense. Os militantes, entretanto, continuaram lançando foguetes dentro de Israel, que mobilizou milhares de forças ao longo da fronteira de Gaza antes de uma possível operação terrestre.
Desde que a ofensiva começou na terça, Israel atacou ao menos 560 alvos em Gaza, deixando ao menos 41 mortos, disse o Exército. Militantes lançaram mais de 160 foguetes contra Israel. O funcionário de saúde de Gaza Ashraf al-Qidra afirmou que ao menos 14 palestinos foram mortos nos ataques aéreos desta quarta, incluindo dois militantes e uma idosa de 80 anos. No total, afirmou, 35 palestinos foram mortos, entre mulheres e crianças.
– O Exército está pronto para todas as possibilidades. O Hamas pagará um preço alto por disparar em direção a cidadãos israelenses. A segurança dos cidadãos israelenses vem em primeiro. A operação se expandirá e continuará até que os lançamentos contra as nossas cidades pare e o silêncio retorne – disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depois de manter uma reunião com seu Gabinete de Segurança.
Os confrontos aumentaram enquanto o Egito, que frequentemente serve de mediador entre Israel e os palestinos, disse estar em contato com ambos os lados para pôr fim à violência. Desde que a ofensiva foi lançada na terça-feira, essa foi a primeira indicação de que esforços de cessar-fogo podem estar em andamento.
A ofensiva desencadeou os combates mais pesados entre os dois lados desde uma batalha de oito dias em novembro de 2012. Israel diz que seu objetivo é destruir as capacidades militantes do Hamas e impedir o lançamento de foguete. Os líderes israelenses alertaram que a invasão por terra poderia ser iminente.
– Apesar do fato de que será difícil, complicado e custoso, teremos de assumir temporariamente o controle de Gaza, durante algumas semanas, para interromper o fortalecimento desse exército do terror. Se você perguntar minha humilde opinião, uma operação significante como esta se aproxima – disse Yuval Steinitz, ministro de Inteligência de Israel.
O governo autorizou o Exército a mobilizar até 40 mil reservistas para uma operação terrestre. Sob condição de anonimato, uma autoridade do governo israelense disse que os reservistas seriam enviados à Cisjordânia para permitir que oficiais na ativa fiquem perto da fronteira de Gaza.
– Não vamos parar. Eles primeiramente serão alvo de duros golpes por ar e mar e, se uma invasão terrestre for necessário, haverá uma invasão terrestre – disse o ministro de Segurança Interna, Yitzhak Aharonovitz.
Israel afirmou que seus alvos incluíram um membro graduado o grupo militante Jihad Islâmica, que confirmou que um de seus membros morreu, juntamente com sua mãe e quatro irmãos. Israel e Hamas são inimigos amargos que travaram inúmeros conflitos nos últimos anos. Mas, até recentemente, eles vinham respeitando uma trégua que pôs fim às hostilidades prévias de 2012.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.