Militantes da Nigéria ameaçaram, neste domingo, cortar pela metade a produção de petróleo do país, reduzindo mais de 1 milhão de barris por dia neste mês em sua campanha por mais autonomia para a região do delta do Rio Níger, no sul do país. Os militantes do Movimento pela Emancipação do Delta do Níger estão mantendo dois norte-americanos e um britânico como reféns. Seus ataques no mês passado reduziram em 455 mil barris por dia, ou em um quinto, a produção do oitavo maior exportador de petróleo do mundo.
Isso reduziu a produção do país para 2 milhões de barris por dia. Os militantes querem maior controle dos recursos de petróleo no delta.
- Se deus quiser vamos reduzir a exportação da Nigéria em mais um milhão de barris no mês de março - disseram os militantes em email.
A Royal Dutch Shell fechou seus campos de exploração no lado ocidental do Delta, região de mangues no sul do país, depois de uma série de explosões e sequestros ocorridos em 18 de fevereiro. Nesse mês, os militantes ameaçaram interromper 30% das exportações.
- Haverá operação no interior em março, bem com os ataques padrões nas baías - disseram.
A maior parte da atual produção da Nigéria vem do lado leste do delta, onde a Shell, as gigantes norte-americanas ExxonMobil e Chevron, a italiana Agip e a francesa Total operam. No sábado, dois pontos de um oleoduto abandonado da Shell foram atacados por sabotadores, mas a produção não foi afetada porque a região já foi esvaziada, disseram fontes militares e da indústria.
Os militantes exigem a libertação de dois líderes étnicos Ijaw, indenização por poluição nas aldeias do delta e mais autonomia sobre a enorme arrecadação com petróleo na região. Os Ijaw são a tribo dominante no delta, onde aldeias pobres de pescadores vivem em meio à multibilionária indústria de exportação. Analistas dizem que o crescimento da violência também está ligado à rivalidade antes da eleição do próximo ano, quando o poder deverá ser passado entre civis pela primeira vez nos 47 anos de independência da Nigéria.